IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


É PENA

Temos que nos dobrar respeitosamente perante a soberania do povo. O povo, nas palavras luminosas da Martins, da Avoila, do Jerónimo e do sô Carlos, desceu hoje à cidade e disse de sua justiça que o governo é ilegítimo e que tem que ir embora, já que é essa a vontade do povo. O camarada oco veio em auxílio dos ilustres declarantes, dizendo que pois.

Tudo democrático, como é de ver. Exijamos a queda do governo, demos um pontapé no rabo da troica, deixemos de pagar as dívidas e, eleições realizadas, o oco virá aumentar os ordenados e as pensões, baixar os impostos, fazer manguitos à EU e ao FMI e pôr, como é de ver, tudo no seu sítio outra vez, aliás na peugada dos bons conselhos do camarada Soares e no seguimento das preclaras políticas do “engenheiro” e dos seus inigualáveis resultados.

Tudo isto estaria certo se o tal povo fosse o povo. Mas não é. Uns milhares de excursionistas não são o povo. O PC não é o povo. O BE não passa de um mínimo cagagésimo do povo. O próprio oco não é o povo. Feijoada e tinto em Alcântara não são o povo. Berraria primária, slogans de lata não são o povo.

O povo são os milhares de excursionistas mais (mais ou menos) uns nove milhões novecentas e cinquenta mil pessoas. Aqui, a porca torce o rabo.

Os excursionistas, a quem, em termos de cidadania, é devido respeito, são os pobres enganados pelas ilusões, aldrabices e vãs promessas do bolchevismo après la lettre que serve de modo de vida a um bando de condotieris que, bem vistas as coisas, se dividem entre os que não trabalham e os que jamais trabalharam. São as “vanguardas esclarecidas dos trabalhadores”, que os ditos sustentam e são levados a venerar.

É pena. É pena que continuemos tão atrasados.

 

19.10.13

 

António Borges de Carvalho    



Uma resposta a “É PENA”

  1. Nisto concordo com o Irritado: muitos portugueses pararam no tempo. No calendário deles, é sempre 25 de Abril de 1974. Os “capitães de Abril”, hoje mortos ou velhos e barrigudos, foram substituídos pelos chulos sindicais. Estes vão sendo reciclados/promovidos – o Proença agora mama no PS, o Carvalho da Silva é putativo candidato presidencial – mas a doutrina é sempre a mesma: reviver os “ideais de Abril”. E é assim que uma revolta corporativa de militares, aproveitada por uma classe pulhítica sem escrúpulos, se transforma numa fantasia idílica em “loop” permanente, como um disco riscado da “Grândola Vila Morena”. A carneirada ouve a parola melodia, vê o triste país em que vive, vê a miserável vida que leva, ouve os chulos sindicais, e volta magicamente a 1974. Só lá é feliz. Mas o tempo não volta para trás. Muito menos para revoluções pífias, cujo derradeiro resultado foi deixar-nos nas mãos da pior escumalha que este país já conheceu.

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