Num inesperado gesto, a senhora PGR veio, publicamente, informar que proibiu os seus funcionários de vir cá para fora largar “bocas” sobre os trabalhos da organização.
Tomada a coisa pelo seu valor facial, parece bem. Indo um bocadinho mais fundo, haverá que perguntar se não é, ou chover no molhado, ou uma questão propagandística.
Então o sigilo não é, por natureza de função, próprio da PGR e dos eus funcionários, magistrados ou não? Não foi sempre assim? Se não foi, antão estamos na Bielorússia ou coisa que o valha. Se sim, porquê vir dar agora uma ordem que não passa de um ça va de soît, ça va sans dire?
A senhora PGR perdeu uma bela ocasião de estar calada. Assim, ou confessa que, lá na casa, impera a bagunça, sendo preciso relembrar o Bê A Bá às hostes, ou está a fazer uma manobra mediática sem qualquer sentido.
É evidente que a estranha atitude da senhora tem como razão próxima a monumental anedota que a PGR, com as “bocas” passadas cá para fora e com a prestimosa colaboração dos media e o dr. Machete arranjaram, acabando por pôr o ilustre presidente Dos Santos a desbocar-se em acusações e ameaças.
Na opinião do IRRITADO, a senhora PGR devia ter ficado calada como um rato. Os seus antecessores falavam demais, ela não devia ir pelo mesmo caminho. Mas, se não resistisse a dizer alguma coisa, o que devia era pedir desculpa às pessoas pelos inconvenientes causados por fugas de informação de que, afinal, é ela a mais alta responsável.
19.10.13
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário