IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DOUTO SINDICALISTA

 

O IRRITADO leu hoje uma coisa verdadeiramente extraordinária: uma opinião do presidente dos juízes. Não, não se trata do presidente do Conselho Superior da Magistratura, trata-se do presidente do sindicato, ou lá o que é.

A seu tempo, o IRRITADO denunciou a inacreditável bagunça que ia dar a história do “da” e do “de”, na tristemente célebre lei da limitação dos mandatos autárquicos.

Como o legislador (a AR), cobarde e inexplicavelmente, se recusou a clarificar o sentido de tal lei, é evidente que a luta política se ia transferir para os Tribunais. Ora o douto presidente acima referido vem dizer ao povo que é a coisa mais natural deste mundo que os ditos se pronunciem assim, assado e antes pelo contrário sobre o mesmíssimo assunto. Os ditos foram empurrados pelos políticos para decidir. Os políticos politizaram a Justiça.

É exactamente o contrário. A questão não é a de condenar ou absolver o senhor A ou senhor B. É a de saber o que diz a Lei. O que não é, simplesmente, possível, nem para os tribunais nem seja para quem for, a não ser para quem a fez. Por isso que os tribunais, ao contrário do que diz o senhor presidente, autor da opiniosa opinião, deveriam – e houve alguns que o fizeram – declarar-se incompetentes para decidir a questão.

O que é ainda mais espantoso é que, em boa verdade, nem o Tribunal Constitucional pode, de ciência certa, dar um sentido definitivo e esclarecedor à inacreditável lei. É que lhe compete verificar a constitucionalidade da lei, não decretar o que ela diz. E se tanto uma como outra das interpretações – o “de” ou o “da” – forem conformes à Constituição, que raio tem o TC a fazer? Nada. Ou, em alternativa, faz política. O que não lhe diz respeito, ainda que, às vezes, pareça arrogar-se competência na matéria.

Entretanto, a bagunça é galopante. Chusmas de oportunistas põem os tribunais a decidir o que não podem. Os candidatos não sabem se podem concorrer ou não. Os tribunais, salvo raras excepções, acham óptimo exercer poder político. O presidente do sindicato, ou lá o que é, acha que, coitadinhos, estão a metê-los em trabalhos. Opiniões jurídicas, que é isso?

 

15.8.13

 

António Borges de Carvalho



13 respostas a “DOUTO SINDICALISTA”

  1. Parece que quem “passou a bola” para os tribunais foi a “Presidenta” da Assembleia da Republica, agora putativa candidata a “Presidenta” da mesma…Como dizia Jorge Sena – “…um país de anões todos na ponta dos pés para parecerem muito altos”…

    1. Diz bem “…um País de (p)anões…”!!!

  2. A ambiguidade da lei é tudo menos «inexplicável»: pelo contrário, não podia ser mais clara e eloquente. Os partidos vivem de tacho, corrupção, e compadrios. Depois do Governo e do Paralamento, as Câmaras são a fonte mais apetecível de tudo isto. Logo, interessa-lhes manter a mama dos seus caciques. A lógica partidária é podre desde o topo. Os líderes, como Passos Coelho, Seguro ou Portas, precisam do apoio das “bases” para chegar ao poder. Basta assistir a qualquer congresso de qualquer partido, sobretudo do Centrão, para perceber que os caciques e barões é que mandam naquilo. Daí a hipocrisia reinante: fingem querer mudar a mama, a chulice e a impunidade, mas na verdade não querem mudar nada. Não podem. Sem mama, chulice, e impunidade, estes partidos deixariam de ter qualquer propósito.

    1. Só se safa o Jerónimo, a rapariginha e o velho, não é? Não esperava ver o FB fazer tão longa viagem.

      1. Talvez gostasse que eu fosse comuna, pois confirmaria a sua tese: toda a gente tem de ser de alguma coisa. E se critico este Centrão podre e corrupto, então é porque sou comuna. Mas não sou. E acho o PCP, o BE e os ridículos “Verdes” um apêndice bacoco desta partidocracia. O único mérito que lhes reconheço é malharem na BANCA, que é o real inimigo. Mais ninguém o faz. Está farto de saber que não tenho partido, que sou isento e imparcial, ou pelo menos tento sê-lo.

        1. Ainda não lobrigou que o Irritado é um “farsante”?Eu demorei algum tempo a descobrir.

        2. Lá que seja honesto, isento e imparcial, não duvido?O seu problema é ainda não ter percebido que o seu radicalismo não leva a parte nenhuma. aliás, se levasse a algum lado, seria a uma terrível ditadura.

  3. «Chusmas de oportunistas põem os tribunais a decidir o que não podem. Os candidatos não sabem se podem concorrer ou não.»Irritado na sua vertente jacobina-Tenha dó, Sr. Irritado!

    1. Como não diz o Irritado “…, ou lá o que é, acha que, coitadinhos, estão a metê-los…” onde! Eu questiono, na “bolsa”?

    2. Jacobino, eu? Já me têm chamado muitas coisas, mas essa…

  4. Caro “Irritado” (devido à “mudança”), Como acto de penitência, sugiro que “fale” sobre a prática IgNobil (o que lhe recorda?) de Pedro Passos Coelho no que concerne ao Tribunal Constitucional. Melhor dito: SOBRE A VIOLAÇÃO DA LEI de um Primeiro Ministro dum Estado de Direito Democrático.Quiçá “recupere” u8m resquício do Respeito que inicialmente foi merecedor (da minha parte, obviamente).PS (sem confusões: post scriptum): ainda sou militante do PSD (entende?).

    1. Não. Não entendo.Em muitos países civilizados há tribunais constitucionais. Fazem o mesmo que o de cá. Mas ninguém se lembra de dizer que o governo lá do sítio é péssimo por ter legislado de forma considerada inconstitucional. Outra diferença é que não tais TCs não interpretam a constituição com critérios ideológicos. Quanto ao que Passos Coelho disse, veja um post de hoje.

      1. Para que dúvidas não subsistam, acerca de malfeitorias, “Quanto ao que Passos Coelho disse, …”, li o que me prometeu em campanha, quer interna (dentro do Partido) e nas últimas Legislativas (que ganhou com base nessas promessas)!!!MENTIROSOS, ALDRABÕES e Quejandos devem (como DEVER CÍVICO) serem corridos democraticamente através do voto. É o que farei. Para o efeito, tentarei convencer o maior número de eleitores a fazerem o mesmo, sob pena desta “cambada de malfeitores” continuarem a fazer a MESMA PORCARIA (acerca do “assunto”, leia George Orwel)

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