IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DOS CRITÉRIOS DO NACIONAL-JORNALISMO

 

Dados os monumentais falhanços que caracterizaram as últimas manifetações “de massas”, o camarada Carlos voltou à táctica de “secções”: uma vai para o ministério A, outra para o B, uma terceira para o C, e assim por diante. Fácil, barato, e dá muito tempo de antena, com histórias várias para inglês ver e “profissionais” solícitos a dar-lhes cavalaria.

Parece que , esta noite, uma secção foi escalada para a casa particular do Primeiro Ministro. Porca originalidade. Intromissão rasca na vida privada do homem. Mas a malta da “informação”, devidamente instruída quanto às movimentações que o comité central lhes anuncia, lá estava, solícita, veneradora e obrigada por lhe darem mais umas dicas para encher o tempo dos telejornais e as páginas da imprensa.

É o ovo de Colombo. Menos investimento, o mesmo barulho público, ou mais, e mais repetido. Bastam vinte ou trinta mânfios, bem treinados e pagos, para criar um “acontecimento” digno das maiores honras “informativas”.  

O que espanta não é que o Carlos tenha estas luminosas ideias ou que disponha, para elas, de bem arregimentados executores. Espanta, sim, que os “critérios” do nacional-jornalismo estejam ao seu serviço.

E espanta ainda mais que haja membros do governo que se proponham “conversar” com os tipos do regimento. Tipos que não querem conversa de nenhuma espécie, só tempo de antena e páginas de jornal para repetir a cassete.

 

27.11.13

 

António Borges de Carvalho



3 respostas a “DOS CRITÉRIOS DO NACIONAL-JORNALISMO”

  1. Todos temos cassetes. Eu não sou excepção, o Irritado também não, e o Governo muito menos. Toda a política é feita de cassetes. Cada partido, sindicato, político, e comentador político tem a sua cuidadosamente preparada, pronta a fazer “Play” sempre que tem uma nesga de atenção mediática. O Irritado fala só das cassetes que o irritam, como se estas fossem as únicas. Mas há outras tão ou mais persistentes, e já nem damos por elas, pois são a música ambiente do regime em que vivemos. Três exemplos recentes: “vivemos acima das nossas possibilidades (e o lucro de quem mais beneficiou com isso é intocável)”; “o nosso maior desígnio é voltar aos mercados”; e o grande êxito “coitadinha da Banca”. Quanto a visar as casas dos políticos, já sabe o que penso: só peca por tardio. É a única forma de responsabilizá-los neste regime podre, e de sentirem MEDO. Sem medo, está à vista o resultado. Lembro-me especialmente de uma ali para os lados da Braamcamp, de um ex-PM, que devia estar a ferro e fogo há muito, muito tempo.

    1. «…: “vivemos acima das nossas possibilidades (e o lucro de quem mais beneficiou com isso é intocável)”; “o nosso maior desígnio é voltar aos mercados”; e o grande êxito “coitadinha da Banca”. »O mecanismo é basicamente este: o Estado emite dívida pública, os bancos compram essa dívida com dinheiro emprestado pelo BCE, que fica com os títulos como garantia. Por seu turno, os bancos cobram ao Estado português juros muito superiores aos juros que pagam ao BCE, e este, por sua vez, cobrando um juro mínimo à cabeça, contorna os tratados da União e aumenta assim a massa monetária no SME.Por sua vez, a Troika cobra juros bem mais elevados do que os juros que o BCE cobra aos bancos comerciais, e serve, no essencial, para obrigar os estados a devolverem aos investidores que apostaram de forma aventureira ou especulativa no endividamento público de vários países, os seus capitais e os juros na sua totalidade, retirando, assim, todo o risco às operações realizadas, como se o risco não fosse a essência do jogo capitalista e da especulação financeira, nomeadamente, aos grandes especuladores globais: JP Morgan, Goldman Sachs, Bank of America, Citi, HSBC, Deutsche Bank, Barcleys.

      1. Tal e qual, cara Alice. Como se a Banca já não chulasse o bastante nos calotes contraídos directamente pelos governos e autarcas, para todos os desvarios que sabemos: obras ruinosas e respectivas derrapagens, PPP e SWAPS do arco-da-velha, EPs “geridas” calamitosamente pelos boys PS/PSD, submarinos, carros de luxo, e restante pândega. Acresce que a Banca está também nos grandes mamões do regime – PT, EDP, Galp, Ascendi, Mota Engil, etc. Ou seja, ganha nos juros, nos lucros, e ainda na dívida pública contraída para pagar os “desígnios nacionais” com que a canalha política nos brinda. A mesma canalha que vai depois parar a mega-tachos na Banca… Digamos que a nossa relação com a Banca é uma espécie de orgia em quel entramos sempre com o rabo.

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