IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


À ESPERA DE GODOT

 

Rezam as crónicas que, em 2002, Portugal acabou de pagar as dívidas deixadas pela política de fomento de infraestruturas de Fontes Pereira de Mello, contraídas em meados do séc. XIX.

Igualmente está na História que as dívidas de guerra da Alemanha foram pagas tendo em conta a evolução do PIB alemão no pós-guerra.

Ao tempo destes endividamentos não havia “solidariedade europeia” nem união monetária nem BCE, nem nenhum desses brilhante sentimentos ou instituições.

Após o fim dos impérios, os países inviáveis de África (São Tomé e a Guiné Bissau, por exemplo) passaram a ser apoiados pelo Banco Mundial, pelo Banco Africano de Desenvolvimento, pela UE, e por mais não sei quantas caritativas instituições. Núvens de funcionários principescamente pagos passaram a frequentar os países ajudados, acrescentando verbas astronómicas à respectiva dívida. Com mais ou menos tempo decorrido, chegavam à conclusão que jamais tais dívidas seriam pagas. Juntavam-se então os “doadores” e, com mais ou menos moras, com mais ou menos reuniões, as dívidas acabavam, e acabam, por ir para o caixote do lixo.

Agora fia mais fino. Os países europeus em dificuldades são “ajudados” mediante créditos de curto ou médio prazo a juros que toda a gente sabe não poderão ser pagos, pelo menos nas condições que os ”ajudantes” impõem. E, até ver, não há volta a dar. Mesmo com “união”, “solidariedade” e outras “verdades” oficiais.

A culpa é da Alemanha? Com certeza. Mas não o é menos dos que, no fundo ou à superfície, seguem, com pouco inteligente interesse próprio e cinismo q.b., as mesmas regras. Convenhamos que, no estado actual das relações políticas e financeiras, com a Europa a perder terreno todos os dias, com a globalização a beneficiar os que se dizia virem a ser prejudicados com ela, os caminhos são mais estreitos do que já foram.

Mas, que diabo, haveria que pensar nas lições do passado, sobretudo por parte de quem foi objecto de medidas excepcionalmente protectoras.

Para já, o que podemos fazer é amochar e ir pagando. O resto são fantasias ou loucuras como as do Soares, seus adeptos, e outros pataratas de serviço.

Resta esperar que alguma nova liderança continental venha a  pensar e a impor algo que mobilize a opinião para problemas que não têm soluções nacionais.

 

28.11.13

 

António Borges de Carvalho



Uma resposta a “À ESPERA DE GODOT”

  1. Para perceber o que mudou nesta coisa das dívidas soberanas, credores, juros, pagamentos e “perdões”, é preciso perceber – sem palas ideológicas – a monstruosidade em que se tornou a Banca e os seus sacrossantos “mercados”. É preciso perceber que a Banca está ligada a todas as crises, e todos os grandes conflitos que ocorreram nos sécs. XX e XXI. Que o dinheiro que empresta não existe, e nunca existiu. Que tudo isto se agravou devido a Reagan e Thatcher. Que mandava e manda no mundo, através de governos fantoches como o americano, o britânico, ou o português. Que não há solução enquanto assim for. O Irritado não quer perceber nada disto, logo o tema é um mero pretexto para repetir o mantra do costume: amochar, pagar, e bater palminhas ao Governo. Mesmo admitindo que não houvesse – e tem de haver – alternativa a destruir o que resta do país para encher a Banca, o mínimo que se esperava de um Governo era a oposição firme a este absurdo. Uma postura em defesa do país, de contas claras e negociação feroz. Em vez disso, o que temos? Temos um Governo “neoliberal”, cuja parte “neo” é criar o Estado mais chulo de sempre. Um bando de lacaios dos agiotas, que não só os servem como os admiram! Já tive cães, e nenhum abanava tanto o rabo como o Passos, o Gaspar e a Maria Luís, quando se encontram com a Troika ou com o Schäuble. Nova liderança continental, diz o Irritado? Se tal milagre acontecesse, o seu Passos seria contra: ele QUER pagar cada cêntimo de juro indevido. Os fantoches nunca questionam as ordens que lhes dão.

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