IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DOS CAMINHOS DO TRINTA E UM


Aqui há uns anos, quando o fugitivo em Bruxelas se candidatou e ganhou as eleições, uma das suas bandeiras eleitorais – não lhe chamemos promessas, porque essas… – era, se bem me lembro, a do “choque fiscal”. Consistia, ao contrário do que hoje nos habituamos em termos de choques fiscais, não no aumento de impostos mas na sua forte redução. Não foi assim que Tatcher e Reagan recuperaram as economias dos respectivos países? Indiscutível.

O que aconteceu? Veio a Dona Manuela e, consciente do “pântano”, aumentou os impostos, criou a célebre “entrega especial por conta”, e foi acusada por tudo e por todos, a começar pelo pretendente Pinto de Sousa, de estar a arruinar a economia e, pelo futuro golpista Sampaio, de não perceber que “há vida para além do défice”.

Quem tinha razão? Barroso e o “choque fiscal”, Dona Manuela e o aumento de impostos, Pinto de Sousa e a sua berraria inconsequente sobre a economia, ou Sampaio e a sua “vida”?

Não se sabe. O que se sabe é que as baixas de impostos são (eram!) por definição e hábito, apanágio dos chamados liberais, e que os aumentos seriam iniciativa mais própria de governos socialistas/social-democratas.

Seríamos levados a crer que a dona Manuela tinha razão. Antes de tomar medidas sérias para reanimar a economia, impunha-se dar saúde às contas do Estado. O que não impediu que estas continuassem a deteriorar-se, nem que a despesa pública continuasse a subir. Dona Manuela teve pouco tempo para provar que tinha razão, ou para que se chegasse à conclusão que estava errada. A seguir, Bagão Félix, mal começou a governar, Sampaio deu cabo do governo sem que nada fosse possível concluir. A esquerda estava reorganizada e o que era preciso era pô-la de novo no poder.

Veio o Pinto de Sousa. Parecia que tudo ia, finalmente, caminhar sobre rodas. Aqui e li, alguma coisa útil se fez. Até que se percebeu, tarde demais, que não havia dinheiro para pagar o que se fazia, bem ou mal. Os impostos começaram a subir, as prestações sociais a descer, as dívidas a aumentar geometricamente, a bancarrota a avizinhar-se. Até que… foi o que se soube na altura e o muito mais que se foi vindo a saber a seguir. A ruína estava instalada.

Voltámos à vaca fria. Um governo acusado de neo-liberal (?!) veio aplicar receitas socialistas: aumento de impostos, descida das prestações socias e dos salários, etc. Dir-se-á, com carraas de razão, que não tem outro remédio.

Parece haver, da parte deste governo, uma espécie de “tática” fiscal. Faz-se anúncios brutais e dificilmente compreensíveis (a TSU a passar de um lado para o outro, o “enorme” aumento de impostos) para, logo a seguir, se desistir de uma e se anunciar a “mitigação” da outra. Do ponto e vista da opinião pública, esta forma de conduzir as coisas parece não dar grande resultado. O polícia mau (Gaspar) ataca. O polícia bom (Passos Cpelho) vem amansar os ataques. Será?

Não se sabe. Sabe-se, sim, que as coisas estão feias, que vão ficar ainda mais feias, restando a esperança que, no fim do caminho, tudo comece a mudar. Quando? Há quem diga que o chamado ajustamento não sem pode fazer em menos de cinco anos e que mal chegámos ao fim do primeiro.

O governo, à custa de dizer que não queria mais tempo, acabou por ganhar o almejado 4º ano. Se não tivesse sido firme não o teria ganho. O governo tentou cumprir os compromissos do Pinto de Sousa. Mas os compromissos não chegavam, já que o ponto de partida era bem mais baixo do que se julgava. Mas a fidelidade aos compromissos, além de um ano mais, teve efeitos positivos nos juros, nos prazos e na predisposição dos mercados. É claro que o camarada Zorrinho já veio dizer que tal não é mérito do governo, mas do BCE. Partidarite mais aguda e mais rasca é difícil de imaginar. Podia, ao menos, dizer que a coisa tinha duas origens convergentes. É por estas e por outras que o tal governo da “salvação”, com os três partidos, é um nado morto.

A dona Manuela, mãe e madrinha dos primórdios da austeridade, de sociedade com outros frustrados, ciumentos e sedentos de palco, também se compraz em teorias e teoremas totalmente carentes de demonstração. O socialista cristão Portas, bom ministro dos negócios estrageiros, faz as vezes de ofendido e ameaça dar cabo da coligação, coisa em que o CDS sempre foi especialista.

 

Vamos a ver o já célebre orçamento, anatemisado pelo PS mesmo antes de nascer.

Sobretudo, vamos a ver se as núvens negras que por aí andam nos conseguem arranjar um trinta e dois, capaz de meter num chinelo o actual trinta e um.

 

11.10.12

 

António Borges de Carvalho



7 respostas a “DOS CAMINHOS DO TRINTA E UM”

  1. Sem tirar brilho aos novos posts do Irritado, que hão-de merecer bons e justos comentários, assinalo que pouco disse sobre mais uma semana em que a nossa classe política brilhou a grande altura. Primeiro, foi a Tecnoforma do nosso seríssimo Primeiro-Ministro, e do seu seríssimo amigo do peito, o famoso Relvas. Além de ganhar uma batelada de adjudicações – a tachista Roseta já nos instruíra sobre como funcionava a coisa – soube-se hoje de mais um esquema, perdão, um projecto, entre a Tecnoforma (sem concorrência), o Relvas, e os aeródromos municipais. Com toda a boa vontade do mundo, até podíamos acreditar que o Sr. Passos não sabia oficialmente da coisa – já aqui escrevi que ele é sobretudo um SONSO. Mas isto torna-se difícil quando, ao ser confrontado com a coisa, o Sr. Passos tem «lapsos de memória» sobre a sua ligação à Tecnoforma. Afinal, veio-se a descobrir, até tinha uma procuração que lhe dava poderes para gerir a empresa, que só foi revogada há poucos meses. Posto isto, os seus «lapsos» fazem-nos lembrar alguém: precisamente o Sr. Pinto de Sousa, e a Sovenco em que participou com o compincha Vara, entre outra gente respeitável. Também o Sr. Pinto de Sousa não se «lembrava» da Sovenco; mas, verdade seja dita, esta teve muito menos sucesso do que a Tecnoforma destes impolutos laranjinhas. ————————— Entretanto, a bancada “socialista” decidiu trocar de carros: tinham dois BMW série 5 e dois Audi A4, cujo contrato de renting acabou, e compraram um Audi A5, e três VW Passat. São meros 3700 euros/mês, generosamente “contribuídos” por nós; embora ninguém nos tenha perguntado nada, é claro que os pagamos com muito gosto ao Sr. Gaspar, que depois tratará de os distribuir por esta e outras causas importantes. O que deu relevo à coisa, foi as declarações de hoje do Sr. Carlos Zorrinho – o tal do Audi A7 de que aqui falámos há tempos, e que foi parar ao Sr. Pedro “Audi” Soares. O Sr. Zorrinho disse o seguinte: «Quem quer uma democracia sem custos, o que verdadeiramente deseja é uma não democracia. Eu sou democrata e quero que tudo se saiba. Até que deixei de puder usar em serviço um BMW 5 para usar um Audi 5 porque era significativamente mais barato.» Cá está a «dignidade das instituições políticas», como diz e defende o Irritado, em tempo de crise: o Sr. Zorrinho teve de descer de BMW para Audi. Quem disse que os sacrifícios não são para todos? ————————— Finalmente, uma frase do Sr. Gaspar que nos encheu de orgulho: somos o «melhor povo do mundo»! Se pensarmos nos dois casos acima, depois em todos os outros que vamos sabendo, e por fim no saque que nos faz este Governo e o Sr. Gaspar, para pagar tudo isto, temos de lhe dar meia razão. O facto de toda esta gente ainda andar por aí, descansada e à nossa custa, torna-nos realmente num exemplo mundial. Somos, cada vez mais, o melhor CORNO do mundo. Viva!

  2. Acabei de comentar em “DA VERDADEIRA OPOSIÇÃO”:Como frequentador do “sítio PSL” (http://pedrosantanalopes.blogspot.pt/) encontro uma simbiótica “comunhão de interesses”. Daí, neste lugar, responder a ambos (aos “simbióticos”, claro), porquanto múltiplos comentários foram “censurados” no “sítio PSL”, e cujo “filtro censuário” não impera aqui (vénia lhe seja feita).Pois bem, continuando, “…há várias oposições …com que o governo se deve preocupar e aquelas com as quais não vale a pena perder tempo.”, lê-se neste introito do post (para o qual remete PSL. Lá do seu “lugar”).Ainda neste “documento”, pode ler-se mais adiante (obviamente, referindo-se aqueles com os quais não vale a pena perder tempo) “…agigantam-se o PC e o BE. Senhores de fácil paleio…”Francamente, alguém acredita ainda nesta “tanga”?PS, PSD e CDS (por eles apelidados como Partidos do arco do foder) é que nos conduziram a esta “treta enganatória”. Assim, têm medo de quê? De serem responsabilizados (como prometeu PPC)? De ficarem sem o produto do que foram esbulhando?ESTAS SÃO AS VERDADEIRAS QUESTÕES!

    1. Depois de reler, verifico um arreliador “lapsus calami”. Na verdade, escrevi “…Partidos do arco do foder”, quando queria escrever “…Partidos do arco do foder”

      1. Perdão, “…Partidos do arco do poder”!!!

  3. Tem a certeza que “…dona Manuela,…” é “… mãe e madrinha dos primórdios da austeridade, de sociedade com outros frustrados, ciumentos e sedentos de…” parvoíces?Na verdade, a mim parece que PPC é o filho do “…mentiroso, sem parafusos, Angelo…” que a todos enganou. Quiçá, “…raposa no galinheiro…”?!

    1. Reafirmo que a dona Manuela é o que eu disse. E reafirmo também que, ao contrário dos que ela saneou, que se portaram como uns senhores, ela e outros passam a vida a dar à casca. É pena. nem todos podem ser ladies ou gentlemen.

      1. …! Que dizer…?”Deus tenha piedade de si”!

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