Um impoluto cidadão andava no Largo Camões a contemplar o poeta, muito sossegado e prazenteiro. À sua volta, inúmeros turistas passeavam, distraídos e contentes. A fim de se tornar útil, e de receber os turistas como um verdadeiro português, resolveu o nosso homem meter conversa com eles. Que melhor maneira de o fazer? É claro, dando-lhes acesso a alguns produtos de ponta da nossa indústria. Não, não eram ovos moles, nem queijadas de Cintra, mas coisa mais requintada e atraente: haxixe, marijuana e similares.
Como consequência de tão louvável atitude, um grupo de polícias ao serviço do politicamente incorrecto, decidiu, no cumprimento de legislação a que está obrigado, legislação estúpida, fora do seu tempo e evidentemante injusta, impedir o impoluto cidadão de prosseguir a sua meritória acção comercial e de boas-vindas.
Abordou-o, dizendo que entregasse a mercadoria (exploração do povo!) e intimando-o a ir à esquadra explicar as suas nobres acções. Mas o impoluto cidadão, como é compreensível, resistiu à mais que injustificada e desproporcionada intervenção. Como um verdadeiro herói, desatou a espernear. Opôs-se honradamente à intervenção de tais díscolos, o que já não era a primeira vez que, coitado, lhe acontecia no execício do seu honrado comércio. Os polícias, prenhes dos mais violentos instintos, responderam-lhe à esperneação pondo-o no chão e ali o imobilizando, assim o privando da sacrossanta liberdade que a Constitução garante a toda a gente. Um horror. Calcule-se que lhe tiraram a mercadoria, apesar de já primorosamente doseada em pequenos pacotes a fim de evitar a especulação, facilitar o transporte e evitar que a clienteala gastasse mais dinheiro do que o razoável
Mas não havia nada a fazer. Os polícias puzeram-no de pé e levaram-no, algemado!, para a esquadra.
A população, indignada, filmou a cena. O povo viu a coisa com horror e indignação, e apressou-se a meter o caso no ciber espaço, o que teve, e ainda bem, consequências “virais”.
Acresce, de longe, a mais importante das ignomínias: o prisioneiro era preto e, como diz o bloco de esquerda e organizações afins, em pretos não se pode tocar. Se o traficante fosse branco, enfim, compreender-se-ia, mas um preto, meus senhores, é racismo ao cubo!
29.1.19

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