Ele há coisas do arco da velha. Antigamente, contra o parecer de inúmeros especialistas, a CML costumava podar as árvores da cidade, coisa aliás comum em inúmeras capitais europeias. Parece que, ou por influência dos tais especialistas ou, o que é mais provável, por mero deixa-andar camarário, há décadas que tal prática foi abandonada.
O resultado vê-se por toda a parte. A Avenida da Liberdade é hoje um túnel de frondosos plátanos, talvez bonito, mas perigoso. O mesmo se passa no Campo Pequeno e em inúmeras outras zonas da cidade. Não é preciso ser “especialista” para saber que há espécies cuja poda é fundamental para manter a sua vitalidade, e que a ausência de tais cuidados redunda no seu progressivo enfraquecimento, por muito ilusoriamente frondosas que se apresentem. De vez em quando, cai uma pernada. Se cai, é porque devia ter sido podada a tempo e horas. São inúmeros esses casos. Ao longo dos anos, as fraquezas das pernadas entram no tronco principal, e a vida da árvore é encurtada.
Ninguém dá por isso, porque o tempo das árvores não tem a ver com o das pessoas. Mas, se se der uma volta por locais como os que cito acima, e se olhar com olhos de ver, facilmente se encontra exemplos claros de situações perigosas. Não é preciso ser botânico, silvicultor ou jardineiro. Basta olhar.
A tragédia da Madeira é um violentíssimo sinal da situação. Começou a caça às bruxas. Mas, mais uma vez, ninguém será responsável, a não ser que se culpe gerações de abandono e desleixo.
Ao menos que tal tragédia sirva para despertar consciências, na Madeira como em Lisboa e no resto do país. Servirá? Não acredito.
16.8.17

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