IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DIA DE GREVE GERAL

 

1 – E PRONTO!

Leio, numa página de jornal, que as seguradoras “lucraram 272 milhões de euros nos primeiros 9 meses do ano”. Noutra página do mesmo jornal, dou com a afirmação de que “é preciso subir os preços dos seguros para recuperar a rendibilidade do sector”.

Contradição? As profundezas da minha ignorância admitem que não. Mas alguém devia explicar. 272 milhões em 9 meses é pouco? Talvez. Tão pouco que seja preciso subir os preços? Talvez.

É possível que os milhões se dividam de forma não equilibrada. Se assim é, haveria que explicá-lo: há seguradoras que estão bem, outras que estão quase falidas. Será?

Ninguém sabe nada, ninguém esclarece nada. Aumenta-se os preços, e pronto. Um hábito que se espalha pelo país fora. Ninguém esclarece ninguém, e pronto.

Não vivemos num país em que a oposição já fez milhares de perguntas ao primeiro-ministro sem que ele tenha respondido a uma só?

As seguradoras têm toda a razão. Aumenta-se os preços, e pronto.

Deve haver para aí alguma “entidade”, algum “alto-comissário”, algum “supervisor”, algum vendedor de hortaliças que ache muito bem.

É para isso que lá estão, não é? Dar satisfações é coisa que não faz parte do job description desta malta.

 

2 – GOODNESS, IS GIDNESS!

Aqui há meia dúzia de anos, fui a uma tasca irlandesa que há no Cais do Sodré.

Sentei-me. Veio um fulano. Declarei que queria uma imperial. O fulano olhou para mim como se eu fosse um verme, e disse:

I beg your pardon…

– Uma imperial, se faz favor.

O macaco não sabia o que era uma imperial. De português nem uma palavra. Só um arzinho todo contemptuous.

É evidente que me vim embora sem imperial nenhuma.

É evidente que nunca mais entrei em nenhuma tasca irlandesa, em Portugal ou fosse onde fosse.

 

A mesma tasca, de seu nome O’Gilins Irish Pub, vem, na primeira página de um diário, lançar um grito de desespero: “vamos ajudar a Irlanda!”, dizem os rapazes. Pelos vistos, para fazer uns trocos já aprenderam a falar português. Propõem, então, duas Guiness pelo preço de uma.

Dupla aldrabice. Não estão a ajudar a Irlanda nem estão a dar nada a ninguém. Estão a ver se sacam mais umas massas ao “tuga”.   

 

É de julgar, com foros de certeza, que se trata de um swap, isto é, que a tasca em causa paga o anúncio ao jornal com uns cachorros, umas tripas à irlandesa e umas Guiness.

 

Se estes tipos representassem a Irlanda, haveria que a mandar àquela parte.

 

3 – A FOSSA DELES E A NOSSA

Os irlandeses atascaram-se em “produtos tóxicos”, uns de produção local, outros importados do tio Sam.

Daí, entraram no cano. Mas, se não considerarmos estas bolhas, a economia irlandesa é altamente produtiva. Mais do dobro da portuguesa.

Daí, as diferenças entre um país e outro.

A Irlanda tem um problema financeiro terrível e um problema económico relativamente fácil de resolver. Não é por acaso que o investimento estrangeiro cresce por lá a olhos vistos.

Cá no jardim, o problema financeiro não é tão terrível, se descontarmos as asneiras do governo (BPP/BPN etc.). Mas a economia, a produtividade, a vontade de trabalhar e organizar, não existem. A economia estiola e, com a ajuda do governo, vai entrar em recessão. O investimento estrangeiro não quer nada connosco. 

Dos dois, quem sairá da fossa mais depressa? Infelizmente, não é difícil responder à questão.    

 

4 – QUATRO MILHÕES E QUINHENTOS MIL EUROS

É o que a economia portuguesa paga pelas 300 mil toneladas de CO2 que produz.

É o mais rendoso de todos os negócios. Melhor que a banha da cobra. Os chineses e quejandos têm milhões e milhões de créditos de CO2 para vender. Estão forradinhos de dólares “verdes”. Os “brokers” estão inchados com negócios chorudos por todos os lados. Os preços tendem a aumentar, é um fartote!

O chamado primeiro mundo, do qual, sabe-se lá porquê, fazemos parte, suporta a canga do CO2 que, estupidamente, criou e promoveu, com os outros “mundos” agarrados à barriga, a rir que nem uns tontos.

Tontos somos nós. Enganados pela ONU, que viu no CO2 uma oportunidade de ouro como embrião do “governo mundial”. O nosso mundo especializa-se na criação dos instrumentos necessários para acelerar o caminho para a servidão.

 

Indiferente a toda esta pessegada, o planeta aquece e arrefece a seu bel-prazer. Está-se nas tintas para o CO2.

 

5 – DOIS MIL E SEISCENTOS MILHÕES

Foi o que a malta exportou para as ilhas Caimão.

1,6% do PIB.

Já lá “temos” 12,8 mil milhões.

Parece que dinheiro não falta, pelo menos do que está a salvo das manigâncias do governo socialista.

As seguradoras são os campeões da actividade exportadora de dinheiro. Deve ser por isso que precisam de aumentar os preços: para aumentar a actividade, pois então!

A grande distância delas estão os bancos. Precisam de dinheiro por cá. Somados, são 70% do total.

O resto são minhocas. Algo me diz que as maiores minhocas são as chamadas “empresas do regime”, aquelas que o regime trata como o Doutor Oliveira Salazar tratava as do regime dele, mas com mais inteligência.

Sendo certo que, formalmente, a actividade exportadora está correcta e não pode ser posta em causa, haverá que perguntar porque é que quem tem dinheiro o manda daqui para fora. Pergunta que podemos ter a certeza de não ter resposta, pelo menos se for posta ao governo.

 

24.11.10

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “DIA DE GREVE GERAL”

  1. 1 – Não professa o Irritado, a cartilha da direita onde os lucros (sobretudo os chorudos), são como a palavra do Senhor – inquestionáveis? Então, não percebo esta irritação… 2 – Os “Irish Pubs” são um franchise que vive das peneiras de serem irlandeses (oh, que honra!), e de terem algumas cervejas decentes. Admito: adoro Guinness. Nada bate uma boa imperial com tremoços, à meia tarde e (de preferência) com vista para o mar e uns biquinis baloiçantes, mas o raio da Guinness também me sabe bem, que hei-de fazer. Compro-a às latas no supermercado, mas não é a mesma coisa. Ao contrário do Irritado, chego a sujeitar-me à música ao vivo dos bifes (que me enjoa), só para ir lá mamar uns “pints”. Ainda assim, é uma grande verdade: os “Irish pubs” têm a mania de que são muito mais castiços, do que na verdade são. 3 – A Irlanda tem 12.5% de IRC – metade de Portugal. Reside aqui também metade, pelo menos, do seu sucesso económico. O Google, o Facebook, e outras multinacionais, escolheram a Irlanda porque querem pagar menos impostos. É natural. Acresce que contribuímos diariamente, talvez milhões de euros, para a economia irlandesa. É dinheiro que sai directamente de milhares de empresas portuguesas, através do Google Adwords, para os cofres do Estado irlandês. E além da saída de divisas, é dinheiro que deixa de entrar no Estado português, porque é abatido ao IRC. Pouca gente fala disto (julgo eu), mas é muito dinheiro. E sempre a crescer. 5 – «Formalmente, a actividade exportadora está correcta e não pode ser posta em causa»? Ah, é? Parece que voltámos ao início – ao ponto 1. Cumprimentos.

    1. 1 – O lucro é o motor da civilização. Desde que, como é evidente, se crie numa sociedade livre, isto é, liberal, isto é, liberdade económica+ primado do direito + Direito submetido à moral.2 – No fundo, está de acordo com esta irritação, ainda que, no que respeita à Guiness, o seu gosto seja outro.3 – Aqui também não há desacordo, antes pelo contrário.4 – Agradeço valorize o advérbio “formalmente”. Segundo as leis vigentes, ninguém me pode impedir de mandar uns cobres para as Caimão. Se calhar não os mando porque não os tenho… não é?CumprimentosABC

      1. 1 – E acha que é nessa sociedade (Direito submetido à moral) que vivemos? Recordo-lhe a notícia em questão. 5 – As leis não caem do céu, são feitas por alguém – e são passíveis de discussão e de aperfeiçoamento, como qualquer outra coisa. Basta haver a VONTADE para fazer isso. Ora, parece-me que o Irritado, independentemente das leis, defende que os actuais offshores são aceitáveis, senão até recomendáveis – quando para mim, são um dos maiores CANCROS civilizacionais. Falamos de locais que abrigam as fortunas de alguns dos maiores criminosos da Terra, desde ditadores a assassinos, e corruptos de médio a grande porte. Falamos de sonegar dinheiro que é gerado em países distantes, muitas vezes à custa dos contribuintes desses países, ao sistema fiscal que (supostamente) beneficia esses contribuintes. É claro que se o Irritado, ou outra pessoa qualquer, tem uns milhares de parte e quer depositá-los onde lhe apetece, tudo bem. Ninguém tem nada a ver com isso. Mas o Irritado sabe perfeitamente, que quando falamos de offshores, falamos de muito mais do que cidadãos isolados, cumpridores e honestos, a quem apetece depositar umas massas. Falamos de IMPUNIDADE e de IMORALIDADE, cinicamente consentidas.

        1. É claro que não acho que vivamos nesse mundo. Razão pela qual, passo a vida a defendê-lo. Sei que é uma questão para gerações e, dados os maus hábitos instalados, vai ser preciso muita força e muito empurrão para se chegar lá.2. É evidente que não acho que as offshores sejam um bem. Mas são legais, não são? Foi o que eu disse. Além disso, considero legítimo que, quem ganhou dinheiro honradamente (o que será o caso de alguns) tem o direito de o pôr a salvo do confisco socialista. O Estado criou uns instrumentos tendentes a tornar atractivo o repatriamento dos depósitos offshore. Muito bem. Só que foram tão tímidos que não funcionaram…

          1. 5 – O Irritado parece alternar entre legalidade e moralidade, conforme a conveniência do tópico em discussão. Também é legal, os bancos pagarem metade do IRC das restantes empresas. Ou acumular reformas chorudas, de cargos que supostamente se exerceu em simultâneo. Na América, em nome da “liberdade de expressão”, é legal uma Associação que promove o “amor” entre homens e rapazinhos. Em vários países, é legal apedrejar uma pessoa até à morte, por suposta “infidelidade conjugal”. Ser legal, no mundo em que vivemos, diz muito pouco sobre a moralidade de uma coisa.

          2. Tanto quanto julgo, não confundi uma coisa e outra.

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