A começar no Presidente da República e acabar no Silva da CGTP, não há cão nem gato que não “alerte” o governo e a Nação para a “situação explosiva” em que vivemos, para os perigos da “agitação social”, para a “justa indignação”, que pode vir a ter “afloramentos de violência” e reforçar o “movimento grevista”. Olhem o caso da Grécia, cuidado, a austeridade gera fenómenos irreprimíveis, etc. e tal.
Os arautos destas desgraças até são capazes de ter alguma razão. Mas as suas inquietações, propagadas em altos berros pelos media, são música celestial para os experientes ouvidos do Silva, do Jerónimo, do Louça e dos restos do socretinismo instalados em São Bento.
Cheira mal, cheira mesmo muito mal.
Parece que esta gente deseja, por convicção ideológica ou partidarite aguda, que a malta se ponha a partir montras, a incendiar automóveis e a bater nos polícias. O objectivo de dar cabo do governo suplanta todos os outros, como se houvesse, ou tivessem na manga, alguma solução mágica. Não há. Não têm. Ninguém tem.
É convicção do IRRITADO que as verdadeiras vítimas da crise procurarão resolveu os seus problemas sem fazer ondas de maior. Quem fará barulho, se fizer – o mijarete da greve “geral” prenuncia mais sossego que pancadaria – serão os mais e melhor instalados, como é evidente no caso dos pilotos, dos maquinistas, dos tipos da Carris, dos funcionários públicos, etc., tudo gente que anda a atirar segurança de emprego, bons ou razoáveis salários e umas mordomias à cara de quem sofre e carece de coisas muito mais elementares que as por eles reivindicadas.
O IRRITADO arrisca uma previsão: os propagandistas da agitação vão ver frustrados os seus mais profundos desejos e desmentidas pela realidade as suas apocalípticas premonições.
A ver vamos.
E não se diga que o pessoal está alheado da situação, despolitizado, desinteressado, sem amor pela cidadania. Não está. Mas percebe que anda a ser gozado pelos instalados e pelos “indignados”. Prefere ir tratando da vidinha em vez de andar para aí aos berros. Além disso, já percebeu que o Doutor Cavaco, os soviéticos, os trotzquistas e os socretinos já deram o que tinham a dar, e o que tinham a dar não prestava.
A ver vamos.
3.1.12
António Borges de Carvalho

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