IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA TRAFULHICE MEDIÁTICA

 

Há uns dez dias, mais coisa menos coisa, que, mercê de alta gritaria jornalística, anda a malta ocupada quase exclusivamente com dois assuntos: a maçonaria e o Jerónimo Martins.

Dois assuntos que não valem um caracol.

 

A Maçonaria, sociedade ridícula e arcaica onde uns caturras se juntam para contradanças “litúrgicas”, patacoadas “filosóficas” e brincadeiras com bonecada diversa, foi importante em tempos, fazia revoluções e golpes de estado, tinha pelotões armados, tudo em nome de altos princípios “constitucionais”. Por cá, mataram o Rei e o Príncipe Real e, mercê de golpada urbana, implantaram a República e passaram a matar-se uns aos outros e a desgraçar a Nação, como não podia deixar de ser. É evidente que, se lhes perguntarem, dirão que não mataram ninguém, que eram uns idealistas “civis” e que má era a Carbonária, coisa com a qual nada tinham a ver. Pois.

O grande ex Grão-Mestre da coisa veio hoje à televisão dizer que a organização nada tem a ver com a política, mesmo integrando membros de todos os partidos, PC incluído. Disse também que, se algum membro da prestimosa organização se portar mal, é convidado a sair. Deve ser por isso que por lá anda um tal Ricardo, ilhéu que foi apanhado em flagrante delito de roubo de telemóveis.

No “Expresso” uma alta figura do dito vem explicar que aquilo é uma sociedade de crentes, onde há tipos de todas as religiões e de falta delas, além de adeptos do espiritismo e doutras martingalas, como as do senhor Kardec e da madame Blavatsaky.

Estes propagandistas dizem que a política fica à porta do “templo” e que jamais a organização puxou cordelinhos, entrou em questões partidárias ou moveu influências. Pois não.    

É claro que pode haver algum “ramo” que cometa irregularidades e pratique actos à revelia dos mandamentos da coisa. Escusado será dizer que se trata de gente que nada tem a ver com a verdadeira Maçonaria. Pois é.

Ou muito me engano ou o filme bufo a que vimos assistindo tem mais a ver com guerrinhas entre “lojas” que com alguma coisa que nos interesse enquanto cidadãos.

Além disso, como é evidente e o próprio director do “Expresso” implicitamente admite, tem a ver com a luta de galos que há longo tempo vem sendo travada entre os senhores Balsemão e Vasconcelos, coisa com que os cidadãos também nada têm a ver: comam-se, matem-se, esgadanhem-se mas não chateiem!

O próprio jornal privado chamado “Público” que, aqui há tempos, se empinou contra o jornal do amigo Oliveira porque este tinha violado correspondência, faz exactamente o mesmo e – ó espanto! – invoca “interesse público”, coisa que seria justa se interesse público fosse o interesse do “Público”. Tudo isto para quê? Para informar a malta que o senhor Montenegro foi convidado para um almoço da Maçonaria!  O que temos nós com isso?

Se, da parte dos órgãos de informação, houvesse alguma sombra de preocupação com o interesse público, então borrifavam na Maçonaria. Ou havia ilícitos no comportamento de alguém, e era isso o que interessava, ou não havia notícia, isto é, o assunto seria os tais ilícitos, não a Maçonaria.

Em resumo, a opinião pública é envenenada à exaustão, servindo de carne para canhão em guerras que lhe não dizem respeito.

O resto é conversa e venda de papel.

 

Eis-nos chegados ao caso Jerónimo Martins, que tem enchido páginas, ocupado tempo às pessoas e sido objecto de desvairadas declarações e opiniões do mais cretino, até da parte de gente tida por responsável, como o Capucho de Cascais ou o Almeida do Belenenses.

Um tipo que paga ordenados a tempo a 26 mil pessoas, num país pasto de desemprego galopante, se não deixa de ter obrigações por causa disso, deveria, pelo menos, ter direito ao benefício da dúvida.

Mas não. O homem é um canalha, um fulano que larga postas de pescada patrióticas e que, assim que lhe convém, dá à sola para a Holanda!

Um pouco mais esclarecida a coisa, conclui-se que o homem paga por cá montes de milhões em impostos e  vai continuara a pagar. Foi pôr a holding num sítio onde os bancos ainda têm dinheiro para emprestar e onde é capaz de haver tribunais com pés e cabeça. Pagará lá alguns impostos, sem dúvida uma pequena parte do que paga por cá. Mas ganhará oportunidades para investir, coisa que deixou de ser uso entre nós.

O IRRITADO, fiel cliente do Pingo Doce, deseja as maiores felicidades ao grupo ora objecto da tanta e tão estúpida perseguição.

 

8.1.2012

 

António Borges de Carvalho



8 respostas a “DA TRAFULHICE MEDIÁTICA”

  1. Um soberano que o quer ser de verdade não pode permitir aos que exercem o seu poder que sejam membros de sociedades secretas. Tem que saber o que fazem, sob pena de perder a sua soberania. Isto aplica-se ainda mais aos Zés Pacóvios que, diga-se em abono da verdade é pouco iluminado.Quanto à Jerónimo Martins as razões que escutei fazem sentido.

  2. Peço desculpa. Os Zés são ou o Zé é.

  3. Eu sem esforço por aí alem,até concordaria com muito do que escreveu.Mas,nestas coisas há sempre um MAS!Não nutro nenhuma simpatia por clubes,sejam eles daquilo que forem,assim,estou-me nas tintas para a maçonaria e para quem fôr maçom.Já não é a mesma coisa,quando os serviços de espiões deste país se servem do clube para traficarem informações em conluio com politicos no activo.O merceeiro que gosta de fazer inflamados discursos patrióticos teve um processo em tribunal porque ludibriou o fisco,e perdeu o processo,ou seja,ficou provado que fugiu ao fisco.E é um descarado destes,para não lhe chamar canalha,que se acha no direito de vir cagar lampanas para cima da populaça.Por trás de uma fortuna,há sempre um crime!!!

  4. Sejamos práticos: o Sr. Soares dos Santos fugiu de cá, porque PODE. Muitos empresários gostariam de fazer o mesmo, mas não podem. Não tem nada a ver com patriotismo: tem a ver com capacidade financeira, e com as leis absurdas que permitem estes alçapões fiscais até no mesmo continente. Sim, é claro que vai ter benefícios fiscais, a médio e longo prazo. Ou o Irritado acha que o tipo é parvo? O Sr. Soares dos Santos consegue assim o melhor de dois mundos: estar numa “pátria” prestigiada e generosa em termos fiscais, enquanto paga baixos ordenados nos países rascas onde realmente opera. Esta esperteza não é nova, já é usada por todos os grandes grupos, nacionais e internacionais, há muito tempo. Tal como o BES, que é detido por uma sociedade no Luxemburgo(!), a Jerónimo Martins não pode prescindir do retalho nacional, das lojas que tem cá. No entanto, devido à legislação criada por uma classe política COMPRADA por estes lobbies, pode ter a sede fiscal, e o dinheirinho, onde mais lhe convém. Não podemos falar de roubo, mas podemos falar de aproveitamento imoral. ————————- Dito isto, tenho de confessar que entendo o Sr. Soares dos Santos. Sendo empresário, embora numa escala muito inferior, sei bem o que é pagar impostos cada vez mais opressivos, apenas para serem estourados pela nossa classe política. Sei bem o que é ser tratado como um escroque, por ter a ousadia de criar postos de trabalho. Sei bem como custa operar numa economia falida, onde apenas o Estado – ou quem o gere – se julga num país rico, com uma administração fiscal nazi. E, tal como qualquer contribuinte, seja ou não empresário, sei bem como é frustrante trabalhar para sustentar chulos irresponsáveis, que ficam sempre impunes.

    1. V. só não põe a sua empresa na Holanda porque não quer. Poder, pode.

  5. Quanto à Maçonaria, não percebi bem onde quer o Irritado chegar. Está a dizer que é uma organização inócua e bem-intencionada, com algumas (raras) ovelhas negras? Está a dizer que o Montenegro não MENTIU sobre a sua ligação à coisa? Está a dizer que o tal relatório das secretas não foi cozinhado? Está a dizer que o ex-chefe das secretas não se orientou, à conta da coisa? Sejamos novamente PRÁTICOS: – a Maçonaria é, na sua larga maioria, um clube MAFIOSO de troca de favores; – a canalha política, incluindo a laranja, usa-a para os seus fins pessoais; – toda esta canalha devia estar sob investigação, e as reuniões sob escuta; – os membros desta máfia deviam ser destituídos de cargos públicos: se querem brincar aos clubes secretos, não têm seriedade ou isenção para servir o país; – apurados os (inúmeros) casos de favorecimentos e aproveitamentos criminosos, é acusar esta canalha, indo-lhes imediatamente aos bens e contas bancárias. É ASSIM, caro Irritado, que se corta a direito. Chega de desculpas, chega de segredos bafientos, chega de meias-tintas.

    1. Apoiado! Se continuamos a branquear a história : os nazis não fizeram nada, ou pior foi porque os tempos eram maus; o mesmo com os comunistas -hoje não haveria genocídios!Alguém acredita?

    2. Gosto tanto da maçonaria como o Filipe Bastos.Acho é que os seus maximalismos “policiais” não levam a parte nenhuma. O que pode levar a alguma coisa é a denúncia do ridículo, da ilegitimidade e de outras coisas piores, em suma, o descrédito publico e generalizado. Legislar sobre tal coisa não me parece o melhor caminho. De leis estamos fartos.

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