IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DE, DA, DÓ

 

Rezam os manuais que o primeiro de todos os intérpretes da lei é o legislador que a produziu. Todos os dias há despachos interpretativos, circulares de esclarecimento, etc. Quando há dúvidas quanto ao sentido de uma norma, compete antes de mais a quem a fez esclarecer o seu sentido.

Anda a Nação em fungas com a história do de e do da. Está toda a gente já consciente que é da, não de, como por gralha ou malandrice foi publicado. Há quem diga que tanto faz haver limite de mandatos de presidentes da câmara ou de câmara. Há quem diga tudo e o seu contrário.

Grande problema nacional!

Perante isto, pensaria o Zé que devia ser o Parlamento a esclarecer a coisa. A lei foi de iniciativa do PS e do seu “governo”, aprovada na assembleia nos termos constitucionais aplicáveis. Pareceria pois que, havendo no parlamento gente normal, esta deveria apressar-se a esclarecer o assunto. Mas o PS recusa-se a colaborar, como se recusa a discutir tudo o que não seja politiquice barata, traquinices de oposição ou bota abaixo pelo bota abaixo. Para coisas sérias, a indisponibilidade do PS é total e permanente.

Para cúmulo, os tribunais já começaram a aceitar acções contra candidaturas, em vez de as recusar por improcedentes, ou por considerar outra a instância competente na matéria. A desgraçada confusão em que esta história vai dar não tem descrição, mas é previsível. Mais um favor que o país fica a dever ao Partido Socialista.


Para o IRRITADO, é rigorosamente indiferente que os presidentes das câmaras tenham ou deixem de ter limites de mandatos, é rigorosamente indiferente que o senhor Menezes se candidate ou deixe de se candidatar no Porto, que o senhor Seara se candidate ou deixe de se candidatar em Lisboa , ou que uns tipos de outros partidos façam ou deixem de fazer o mesmo noutros lados.

Mas já não é nada indiferente que o legislador não queira interpretar a lei que fez, não porque não possa – ou não deva – mas porque um partido parlamentar o impede, por cobardia ou traição ao regime democrático e “transparente” de que diz ser adepto. Acima de tudo, pela mais ordinária das partidarites.

Meteria , se não metesse nojo.

 

25.2.13

 

António Borges de Carvalho



5 respostas a “DE, DA, DÓ”

  1. Perdoe a ignorância, mas creio ter lido algures que o autor da lei até tinha sido Paulo Rangel (hoje euromamão), e que este defende que se aplicava a todas as Câmaras; e li há pouco tempo o seu DR. Santana Lopes a defender o contrário. Aliás, a lei não foi aprovada justamente quando este último era PM? E o PSD não teve nada a ver com isto?

    1. Talvez eu esteja mal informado a este respeito.Mas, mesmo que assim seja, não modifica muito as coisas. Tratando-se de uma lei eleitoral, precisa de maioria qualificada. Por isso, o PS é indispensável para uma interpretação autêntica. Fugir a isso… é o que digo no post. Repito que, pessoalmente, me é indiferente uma ou outra solução. O que não é indiferente é recusa de discutir e resolver o assunto atempadamente, arriscando a levar o próximo processo eleitoral a uma confusão dos diabos.

  2. http://www.jn.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=2860298Está aqui a clarificação da autoria da lei.Para o caso,mesmo que o espírito da coisa não fosse esse,seria desejável que houvesse real limitação de mandatos e não uma fantochada que permite a estes parasitas continuar a fazer disto profissão.

    1. Por acaso, não clarifica grande coisa. Até termina com um exemplo descabido: se o Costa se quisesse candidatar a PM, não o poderia fazer. É descabido, porque a lei só diz respeito às Câmaras. Tudo somado, é mais do mesmo – uma lei feita com os pés, DELIBERADAMENTE confusa, para poder ser interpretada conforme a ocasião e o freguês. Ou seja, apenas mais um cozinhado deste Centrão. Alguém se espanta que o resultado seja este? Diz o Irritado que todo o problema é a «falta de discussão» do PS. Como se a maioria, que é PSD e CDS, não tivesse o poder de “clarificar” e alterar seja o que for. Aliás, o próprio PSD está cheio de autarcas salta-pocinhas. Logo, é óbvia qual a única “clarificação” que lhe interessa: manter o regabofe.

      1. Meu caro,clarifica completamente a autoria da lei.Não clarifica a intenção dos autores ou como se diz,o espírito da coisa.Mas essa clarificação não é necessária,todos percebemos que é propositadamente confusa para dar para tudo e seu contrário.”Em declarações à agência Lusa, Marques Guedes referiu que a lei de limitação de mandatos, aprovada em 2005, foi “um dossiê negociado diretamente pelo doutor Marques Mendes e pelo engenheiro Sócrates”, que na altura ocupavam os cargos de presidente do PSD e secretário-geral do PS e primeiro-ministro, respetivamente.”Eu e o doutor Alberto Martins, que éramos os líderes parlamentares do PSD e do PS, acompanhámos essa negociação política e recebemos depois orientações claras sobre o que devia ser posto na lei. Os deputados que estavam na 1.ª Comissão, no caso concreto, o doutor Paulo Rangel e o doutor Vitalino Canas, foram depois instruídos no sentido de dar corpo ao acordo político que tinha sido feito”, acrescentou Marques Guedes.”

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