IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA TRANSIÇÃO DIGITAL

Dizem que um dos grandes objectivos do chamado governo é o da “transição digital”.

Magno objectivo, cujos primeiros passos já foram dados, permitindo-nos imaginar o radiante futuro que nos espera, doravante alimentado pelas esmolas da UE oficialmente destinadas a reforçar o estado socialista e a arruinar ainda mais a sociedade.

Alguns exemplos dos avanços já conseguidos na tal transição:

– Se você precisar de alguma coisa de um serviço público (ou até privado) vai ao respectivo site, navega, navega e, meia hora depois, ou desiste ou deita fora o computador. No entanto, no meio dos trabalhos, você descobriu um número de telefone. Esperança ressuscitada, você liga. Aparece uma voz com um cardápio de acções possíveis: prima 1, prima 2, prima 3… não há opção que lhe interesse. Aí ou desliga, ou espera. Se tiver raríssima sorte, é atendido por um ser eventualmente humano, o qual debita umas frases tidas por simpáticas. Explica o seu problema. O ser eventualmente humano diz-lhe que terá que ir ao site. Em alternatriva, diga o número de 42 dígitos do seu contrato, ou coisa do género. Você perde a cabeça, insulta o ser eventualmente humano, e desiste.

– Você quer apresentar uma reclamação. Tal tem que se lhe diga. Nada de cartas, emails, ou outras antiguidades do género: tem que ir ao site. No site você, feliz, encontra o formulário da reclamação: nome completo, morada, telefone, endereço email, cartão do cidadão, número do contribuinte e mais umas exigências, eventualmente em nome da “protecção de dados”. Passados uns dez minutos, você é autorizado a dizer de sua justiça. Após pôr umas cruzinhas aqui e acolá, fica autortizado a enviar a coisa para o site. Vitória! Há uma máquina que lhe diz que a sua mensagem foi “aceite”. Feliz, fica à espera da resposta, das informações, investigações, justificações, ou qualquer outra coisa. Dois meses depois, desiste. A “transição digital” funcionou, isto é, mandou-o passear.

– Experimente, por exemplo, reclamar de uma daquelas espantosas multas que os esbirros da EMEL lhe dedicam. Não vale a pena descrever. As diligências, como as acima, são para esquecer. Desesperado com a “digitalização”, resolve utilizar os meios clássicos, cartas registadas com aviso de de recepção, por exemplo. Os avisos voltam com um rabisco, mas resposta, zero. Você é persistente, faz as sua buscas e descobre que a EMEL tem um “provedor do cliente”, com endereços, postal e de emailI, e telefone! Telefona. O número não existe. Manda a coisa por email. O computador responde que desconhece o endereço. Você desiste. Quando é avisado que ou paga ou vai para tribunal, você verga, os tribunais são uma chatice, perde-se tempo, gasta-se mais com o advogado e as custas do que o valor da(s) multas(s). Paga, que é o objectivo da ditadura em que vive. Ganharam!       

Os exemplos são aos pontapés e, desgraçadamente, são tanto públicos como privados. Experimente o MEO, a Vodafone ou outros. Tudo igual. Você é escravo de máquinas sem alma. A “transição digital” é a sesumanização total, e totalitária.

Só para acabar, uma coisa positiva. Uma pessoa com dificuldades “cibernéticas” pediu-me ajuda para resolver um problema. Tinha carradas de razão, estava a ser altamente prejudicada por um erro burocrático da Caixa de Aposentações. Tinha mandado três ou quatro cartas com aviso de recepção. Foram recebidas, mas não havia resposta. Lá fui, de papelinho na mão, falar com alguém. Falei (isto antes do covide, quando ainda havia com quem falar). O assunto estava sob “apreciação”. Isto, numas três ou quatro visitas. Chateado com a coisa, resolvi telefonar (antes do covide, claro, quando ainda havia alguém com quem falar). Até que, ao vigéssimo telefonema sem resultado, fui atendido por um senhor que se dispôs a ver o que se passava e, depois de uma boa meia hora ao telefone, me informou que, sim senhor, tinha toda a razão, o assunto (o pagamento da dívida) ia ser resolvido em breve. Dois meses depois, o meu amigo recebeu o seu dinheiro. Tinham passado dois anos de luta. O meu amigo, felicíssimo, recebeu a massa toda de uma vez e, em estatal compensação, um ano depois viu aumentada a taxa do IRS. Enfim, do mal o menos. Jamais esquecerei o nome do senhor que resolveu o assunto e, na minha galeria de santos, vou acrescentar o seu nome.

E é assim a vida moderna. Quanto mais avançada estiver a tal “transição digital”, agravada pelo socialismo “democrático”, menos humanidade haverá. Ou haverá outra, mas não será humana.

  

8.7.21



3 respostas a “DA TRANSIÇÃO DIGITAL”

  1. Avatar de Eduardo Menezes
    Eduardo Menezes

    Nada como experimenterPor exemploCertificado de VacinaçãoChave digitalSe conseguir navegar num ou noutro tem direito a um doce

    1. Não conseguiu obter o Certificado de Vacina? ou Chave Digital ??Provavelmente dá-se mal com estas modernices. Eu que já estou quase nos 80 não tive problema e não sou nenhum grande entendido nestes assuntos informáticos.Tem que ter atenção ao que lhe é mandado executar, agora se não se dá bem com este governo tudo o que venha dele complica-lhe o sistema nervoso e bloqueia. Paciência.

      1. O IRRITADO, recém chegado aos oitenta, conseguiu (sozinho!) o tal certificado! Magno triunfo. O que nada retira ao que disse no post.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *