Diz-se que a quarta vaga do covide ainda não chegou ao pico, mas a quinta já cá canta. É vaga das barracas. Aqui no meu bairro proliferam barracas, barraquinhas, barracões e contentores, onde diligentes “profissionais” se aplicam afanosamente a fazer a propaganda eleitoral do Medina, a qual consiste na oferta de uns testes (em princípio marados, porque não servem para nada). Os ditos profissionais aplicam também outros, estes a sessenta paus, conhecidos por PCR ou coisa que o valha, os quais são tidos por bons, embora haja quem, com legítimo fundamento, ache o contrário.
Bichas e bichas (hoje conhecidas por filas, por subserviência em relação aos brasileiros), gente cheia demáscaras e “distanciamento social”, espera horas para levar com a zaragatoa pela garganta abaixo e/ou pelo nariz acima. São doentes? Nada disso. Então são o quê? São orgulhosos apoiantes da quinta vaga. Nenhum está doente, ou tem de tal sintomas: se os tivesse ia ao médico, não é? Se tiverem sorte, a coisa dá positivo – verdadeiro ou falso – e vão, prenhes de saúde e “orgulho cívico”, duas semanas para casa sem fazer nenhum. Ó Maria, estou com o covide, dá-me uns paparicos. A patroa e os filhos também são presos. À espera de “alta”, sem que nenhum tenha estado doente. Em suma, é o verdadeiro reagrupamento familiar em boa harmonia. Os que têm a (má) sorte de a zaragatoa não dar nada, para a semana lá estarão para mais um “testezinho”. Que diabo, pode haver uma nova oportunidade, não é?
Como em tudo, há um lado positivo. Que o digam os tipos das barracas. Trata-se de uma ocasião de ouro nestes tempos de crise económica. A não perder.
Em suma, a vaga da estupidez humana está a ultrapassar a do cagaço, como sempre sob a iniciativa, o orgulho e o patrocínio dos chamados poderes públicos com a colaboração do indigenato ignaro.
17.7.21

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