À atenção do Presidente Capucho
Domingo. Está fresco. Brilha o Sol. A malta passeia no paredão de Cascais.
Criancinhas e velhinhas, matronas e calmeironas, pedreiros e cavalheiros, dengosas e malcheirosas, frescotas e biquinotas, matulões e engatatões, enfezados e dotados, tudo goza minha gente.
Há sardinhas e há lulas, virgenzinhas e gandulas. Vêm skates e enfeites, bicicletas, trotinetas.
Há estrangeiras a torrar e meninos a brincar.
Há monhés a vender gatos, gente a correr com sapatos, velhotes a comer bróculos, mais pretos a vender óculos.
E, no meio disto tudo, há um tipo façanhudo, com uma guita na mão, e noutra ponta um cão. O cão é branco e tem dentes, sem açaimo, sorridentes. A malta toda se afasta, um pitbull, estou à rasca! Abrem-se alas, meu Deus, o tipo passa, importante. A malta olha em redor, mas que perigo tão chocante!
A polícia, o caraças, não está, nem vem, que é Domingo!
E quando vem, à semana, que nóia, não liga bóia! Ou passa, de automóvel, ou pedala, sorridente. O Pitbull, coitadinho, se morder, não é culpado. A polícia, meus senhores, gosta de passar ao lado.
Lá vai uma criancinha, com a mãe ao dependuro, tratar-se na Previdência. O cão não tem consciência! Nas palavras do fulano, se mordeu, foi por engano.
Veja lá, dr. Capucho, que a coisa pode surgir. A Câmara, se ainda existe, bem podia intervir.
Ou pagamos aos polícias p’ra passear de automóvel, e ao dia de semana?
ABC

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