Uma “comissão”, nomeada não faço ideia por quem e presidida pelo ex-bolchevista Vital Moreira, vai dedicar-se à nobre tarefa de preparar as comemorações do centenário da República. A coisa, qual Expo-98, começa a ser programada com mais de três anos de antecedência. As comemorações, emblematicamente encimadas pela nobre iniciativa de legalizar os “casamentos” dos pederastas e das fufas, vão ser de arromba.
Gostava de perguntar à plêiade de nobres intelectuais en charge o que é que querem comemorar:
– O miserável assassínio do Chefe de Estado e do seu Sucessor?
– O fim de um regime constitucional democrático e parlamentar com 76 anos de idade?
– A repetição e o agravamento dos erros, designadamente eleitorais, desse regime?
– A redução do número de eleitores com direito de voto?
– O caciquismo político na sua mais “elevada” expressão?
– A mais repugnante e bárbara repressão de todas as manifestações populares?
– A repressão e o aniquilamento do movimento sindical?
– O maior número de presos políticos da nossa história?
– A proibição do nascente Partido Socialista?
– A entrega do poder às alfurjas de Lisboa?
– O terrorismo institucionalizado?
– A substituição a Bandeira Nacional pelo estandarte de um partido?
– A substituição de um hino que honrava a Liberdade por uma marchinha pseudo-patriótica, a incitar a pessoas à guerra?
– Os assassinatos em série?
– Os esquadrões da morte?
– A inútil, injustificada e devastadora participação na I Guerra Mundial?
– Catorze anos de sangrenta bagunça?
– Mais dois de ditadura militar?
– Mais quarenta e seis de ditadura civil?
– Sessenta e quatro anos de política colonial imobilista e estúpida?
Não faço mais perguntas para não maçar as pessoas. A série é inesgotável.
No fundo, a coisa compreende-se. Para dar alguma dignidade ao cinco de Outubro, nada melhor que o casamento dos pederastas e das fufas.
António Borges de Carvalho

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