Este palavrão (a interculturalidade) continua a causar estragos sempre que aplicado “a sério” (a dona Matilde Sousa Franco e o senhor de Belém acham que não).
Afinal de se trata? É uma questão de “direitos humanos”, dizem a esquerda e alguma direita. Consiste em afirmar que qualquer minoria étnica, religiosa, politica, cultural, etc., tem o inalienável direito a existir e afirmar-se, mesmo que contra os valores das sociedades que a acolhem ou onde vivem desde sempre. Assim, para respeitar tal direito, têm tais minorias a prerrogativa de praticar os cultos que entenderem, mesmo que isso ofenda a lei (por exemplo, a poligamia), viver num regime social aparte (por exemplo, desrespeitando os direitos da mulher), praticando costumes condenados para os demais (nomadismo, ocupação de terras de terceiros), e por aí fora.
Não é de pôr em causa que certas comunidades existam ou continuem a existir no seio das sociedades de outra origem ou ligadas a valores não totalmente coincidentes. Os portugueses expatriados, por exemplo, mantêm a sua ligação ao país de origem, vibram com o seu futebol, o seu fado, orgulham-se da terra que os viu nascer, ou aos seus pais. Tal não significa que se constituam em comunidade fechada, que ponham em causa os costumes ou a cultura dos outros, que se fechem em guetos, que não se integrem, que não procriem com os locais ou que ameacem ou ponham em causa os seus costumes ou os contradigam activamente.
A multiculturalidade tem tido, e continua a ter, em não poucos países da Europa, efeitos devastadores. Um muçulmano, em França, tem o direito, por respeito pela cultura dele e negação da dos franceses, de ter várias mulheres, filhos de todas elas e, à conta da “reunião familiar”, viver de subsídios públicos que aos franceses não são concedidos. Este tipo de “direitos” tem tido, como toda a gente sabe, consequências catastróficas: não só os praticantes do “guetismo” se sentem com mais direitos que os cidadãos comuns, como os odeiam e, muitas vezes, matam em nome dos seus criminosos valores sociais ou religiosos. O multiculturalismo tem o mais que perverso efeito de colocar os “visitantes” a coberto das normas dos “visitados”, coisa que, dizia a antiga civilização, nem num jantar de amigos se toleraria.
Mas o que é “correcto” vai-se impondo. Em Portugal, sob o alto patrocínio do Presidente da República, a sociedade apoia o gueto dos ciganos, proporcionando-lhes condições para “ser o que são”, sem qualquer obrigação de respeito pelo que “são” os demais portugueses. Até já há escolas para ciganos, a fim de melhor consagrar o estilo de hábitos socias que contrariam frontalmente os dos cidadãos em geral.
Este tipo de considerações, como é óbvio, será acusado de xenofobia, fascismo e outros simpáticos epítetos pelas Catarinas da nossa praça e até por almas vitimadas pela moda, no fundo idiotas úteis. O IRRITADO está-se maribando para tais opiniões, bem como para as do senhor de Belém. O IRRITADO, não pratica afectos indescriminados, nem nega aos seus o que reconhece a outros.
9.4.18

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