IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DAS DESVENTURAS DA VERDADE

 

O Santos Silva, em atitude altamente viril e desassombrada, chamou o embaixador em Moscovo “para consultas”. Ao ver tal coisa, Costa achou-se ultrapassado. Pensou, pensou, e disse: se aquele gajo chamou o embaixador, também tenho que chamar alguém. Genial. E mandou para os jornais que tinha chamado o chamado ministro da cultura a São Bento. Isto como se não chamasse, todos os dias, algum ministro a São Bento sem dar cavaco a ninguém. A propaganda é o que manda, o que interessa, o que dá votos, o que excita o povo ignaro, burro, que há que manter nos varais.

Com a tal chamada, o tal povo ficou convencido: o nosso ilustre chefe está zangado por causa da gritaria dos que ficaram fora do bodo da cultura. Como dizia ontem uma senhora da classe, “temos que pagar a renda da casa!”. É para isso que serve o dinheiro dos impostos. Quais hospitais, quais escolas, qual carapuça. Cultura, meus senhores, cultura! No caso, o senhorio agradece.

Ontem de manhã, ouvi não sei onde que o orçamento para o bodo da cultura tinha aumentado 3,75%. À tarde, o chefe de São Bento declarava que era mais de 35%. À noite, o Galamba, caramba, fixou a percetagem em acima dos 50%. Grande artista. É claro que era tudo mentira, como não podia deixar de ser. Dependia das contas, porque metia novos e caríssimos contemplados. Que interessa se é mentira ou verdade? O que interessa é o que passa para o tal povo, o que vota neles, não o que paga e vota nos outros.

O infeliz declarado como secretário de estado da cultura deu o peito às balas. O respectivo ministro devia estar de férias, seguindo o exemplo que vem de cima: se há azar, vou de férias, como fez o chefe com os incêndios. O infeliz (será corrido?) declarou que as verbas da cultura tinham sido atribuídas com o total conhecimento e apoio do chamado primeiro-ministro, e que tudo tinha sido devidamente combinado com ele e com os destinatários do carcanhol. Se calhar disse a verdade, mas a verdade é o menos. Ou então não era verdade, como reza a douta opinião do tripeiro-mor, o qual organizou um “evento mediático” para “esclarecer” que não, não estava de acordo com coisa nenhuma e, crime dos crimes, nunca tinha sido ouvido. Outros disseram o mesmo, até alguns que não tinham respondido aos inquéritos oficiais sobre o assunto, se calhar porque estavam a contar com o ovo no trazeiro da galinha.

Resumindo e concluindo, a verdade é como as batatas, não tem ponta por onde se lhe pegue. Não interessa a ninguém, nem à senhora da renda da casa, nem ao tripeiro, muito menos ao Costa, ao ministro, ao secretário, à mulher-a-dias (assistente operacional!).

O que interessa, o que vai ficar, o que o povo quer ouvir, é o que hoje foi dito pelo senhor de São Bento, eventualmente com o afectuoso apoio do colega de Belém: “vamos arranjar mais uns milhões para a renda da casa”. E fica tudo resolvido.

Que seria de nós se não tivéssemos um génio a mandar nisto?

 

5.4.18



3 respostas a “DAS DESVENTURAS DA VERDADE”

  1. Para que conste informo que a mim também ninguém perguntou nada.Os mestres asniáticos combinam as coisas entre si e basta.Uns dizem uma coisa, outros o seu contrário e os terceiros desmentem os dois anteriores.Que rica pinga, amiga AgostinhaHaja saúde pró senhor 100tino e prós outros também

  2. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Tem piada, a mim também ninguém perguntou nada. Nem da “cultura”, nem de assunto nenhum. Limitam-se a estourar os milhões, incluindo os meus impostos, como lhes apetece. Mas só a Gerimbosta e os governos do PS agem assim. Os outros governos perguntam sempre. Que saudades do Passos, que não decidia nada sem consultar a população: – aumentamos impostos? – enchemos mamões? – pagamos calotes criminosos e indevidos? – mantemos PPP ruinosas, SWAP calamitosas e outras negociatas mafiosas? – mantemos a mama da RTP, Fundações, EPs, autarquias e outras fábricas de tachos? – privatizamos só o que resta de jeito no Estado? e a preço de saldo? – saqueamos a economia e o país para proteger a mama pulhítica e banqueira? – etc, etc. Assim dava gosto. Assim, sim: com o PSD havia democracia! Mas vieram os comunas…

    1. O Filipe, neste comentário, denota França melhoria discursiva. Continue, que vai no bom caminho.

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