Tenho dois carros. Um de 1999, outro de 1998. Dentro em breve serei proibido de circular na minha cidade. Já não tenho idade para andar de bicicleta como quer o Medina e outros idiotas acantonados na Câmara, e assim vou deixando as venerandas viaturas a apanhar ar nos quadradinhos da EMEL. Não me queixo muito, vai havendo a Carris (fora das horas de ponta) e, em caso de necessidade, um taxi. Metro é que não, que não me entendo com a inteligentíssima sinalética da rede.
Ao contrário deste tão antiquado circulante, os meus concidadãos compram carros novos todos os dias. Compram andares todos os dias. Há nisto uma certa lógica: o dinheiro não rende nos bancos, há que aplicá-lo, nem que seja em bens de consumo como os automóveis, o que exponencia as importações, mas a malta não tem obrigação de o perceber. Os dos carros, daqui a dois anos, terão um terço do dinheiro que se comprometeram a pagar por eles. Os dos andares ficam encravados por uns trinta anos, ao mais pequeno abanão ficam sem eles, e a banca atolada em ainda mais imparidades.
Poupança é coisa que deixou de existir. Nem a banca dá condições, nem o Estado merece confiança.
O futuro? Se perguntarem ao chefe Costa, é brilhante. Se quiserem pensar um bocadinho, comprem dólares em vez de automóveis e andares.
30.7.16

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