Um combóio cai por uma ribanceira abaixo. Uma pessoa morre, não sei quantas ficam feridas, algumas com gravidade. Reza o jornal privado chamado "Público" de hoje (27.08.08) que as três entidades públicas com eventuais responsabilidades na matéria já declararam, por escrito, que não têm qualquer responsabilidade na matéria.
Entretanto, tinham vindo a público algumas hipóteses justificativas do acidente. Uma, imagine-se, fundava-se no alegado facto de as comunicações do combóio com o exterior serem, em certas zonas do percurso, inexistentes. Outra, dizia que a composição tinha problemas mecânicos. Outras balelas se escreveu sobre o assunto, que não valerá a pena referir.
Ora bem. O jornal privado chamado “Público” publicou, em primeira página, uma monumental fotografia do local do acidente. Uma mulherzinha olha, condoída, a composição esparramada no fundo do talude. A seus pés, a linha férrea, A travessa que está em primeiro plano encontra-se totalmente escavacada. As que se lhe seguem mostram evidentíssimos sinais de velhice e corrosão. Estão para ali há anos e anos sem que ninguém lhes ligue. O acidente contribuiu para as destruir? Talvez, mas tal destruição mais não fez que pôr ainda mais a nu o miserável estado das ditas. As travessas esfarelaram-se, de velhas, de podres, de rachadas. Das fixações dos carris, não há uma que se aproveite. Numas, faltam os parafusos tirefonds, noutras já não há peças de fixação, noutras ainda os tirefonds estão fora do sítio. As fixações são de um modelo que já não se usa há uns quarenta anos. O balastro, é de presumir, não é mexido desde o mesosóico inferior.
Dizem os jornais que uns rapazes andaram na linha a arrancar (à mão!) tirefonds meio soltos e os levaram não sei a que autoridades.
Hoje, em nova fotografia, com a legenda "não foram detectados problemas no troço onde ocorreu o acidente", o jornal privado chamado "Público" mostra mais três travessas completamente esfanicadas e uma quarta rachada a todo o comprimento, todas mostrando fissuras de décadas de abandono.
E, no entanto, a chamada Refer já declarou que "não foram detectados defeitos na linha”. A culpa, no parecer dos "técnicos", é de uns tipos que andaram a abrir um buraco para meter um cabo telefónico ou coisa parecida!
Há anos, o senhor Coelho demitiu-se quando caíu uma ponte. Se se tratou de um acto de alta dignidade política ou de uma forma de se safar de chatices, não saberei dizer.
O que sei é que o senhor Lino jamais (jamais!) se demitirá, e até é homem para achar que a culpa é do Camões.
António Borges de Carvalho

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