Há quase vinte anos fiz uma memorável viagem, de carro, de Erevan, na Arménia, até Tbilissi, capital da Geórgia. Cruzar as montanhas do Cáucaso foi algo de inesquecível. Tal viagem não é, porém, o tema deste post. O tema é a corrupção instalada, organizada e oficial, ou oficiosa.
Tínhamos um motorista arménio, que conhecia as estradas,melhor dizendo, as picadas. Depois de atravessar a fronteira – uma cena do mais ridículo – começámos a ser mandados parar por inúmeros polícias. O nosso motorista, disciplinadamente, saía do carro e ia pôr umas notas na mão deles, o que, vim a saber, estava inclído no preço do transporte. Voltava para o carro sem dar satisfações, e seguia viagem. Não nos metemos no assunto. Num dos dias em que estivemos em Tbilissi fomos jantar com uns políticos locais. Uns copos depois, enchi-me de coragem, virei-me para o tipo que estava ao meu lado, um importantão local, e contei-lhe a história da viagem e das gorgetas aos polícias. Ao que o homem respondeu que tínhamos feito muito bem em pagar e não bufar, uma vez que o chefe da máfia das gorgetas era o ministro do interior. Se não pagássemos, o mais provável era desaparecermos sem deixar rasto. Uma lição de prudência, como se vê.
Vem isto a propósito das facturas das messes da Força Aérea. Dizem as testemunhas que os maiores beneficiários da tramóia eram “os generais”, não sei se todos se só alguns. A coisa estava estabelecida, regulamentada, e parece que a distribuição de de rendimentos era feita de acordo com as divisas, os galões e as estrelas de cada um, depreende-se que do cabo ao general.
Longe de mim afirmar que este jardim tem alguma coisa a ver com a Geórgia de há vinte anos. Mas lá que há “pontos de contacto”, há. Dizem o mesmo das bruxas.
24.1.19

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