IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AUTOFAGIA


Como já foi dito neste blog, o 5 de Outubro, se houvesse vergonha política e seriedade histórica, não seria objecto de comemorações. Uma golpada que acabaria por lançar o país, primeiro, na mais miserável bagunça  e, a seguir, em 48 anos de ditudura, não é coisa que se comemore, antes que se assinale como desgraça.

Mas as coisas são como são. A III Repúbica existe e trouxe-nos coisas positivas, podendo compreender-se a obliteração das múltiplas indignidades que marcaram os seus dois primeiros anos. Aceite-se que se comemore, desde que afastada das anteriores, que não realizaram qualquer avanço nas liberdades públicas nem realizaram progresso social e económico que se visse. E que fosse comemorada em 25 de Novembro.


A III República está em crise. Crise que vai muito para além dos apertos económicos em que se vive. O descontentamento, mal informado pelo governo, ou desinformado por um exército que vai dos legitimamente descontentes aos interesseiros e aos mass media, é levado a pôr em causa tudo e mais alguma coisa, a começar pelo governo e a acabar nas Instituições.


Estas, por seu lado, parecem não saber defender-se, prestigiar-se ou justificar-se.

A cena do 5 de Outubro é disso marcante. Demos de barato a história da bandeira da República de pernas para ar, inocente vítima da pressa ou da ignorância de um funcionário qualquer. 

O pior foi o que veio a seguir. Primeiro, a falta de savoir faire dos intervenientes. Nem o anfitrião Costa nem a estrela do filme, Cavaco Silva, tiveram a presença de espírito para, no momento, num gesto de bom humor, mandar emendar a coisa, desvalorizando-he a importância. Depois, mais grave que tudo, realizar uma cerimónia institucional à porta fechada, sem outras presenças que as dos convidadios.

É sabido que as cerimónias do 5 de Outubro jamais congregaram mais que escassas dezenas de populares, os mais deles para ver o espectáculo da parada, outros que, por acaso, por ali andavam, talvez alguns a dar pífios vivas à República. Nunca foi coisa a que o chamado povo desse qualquer importância.

O medo, a cobardia, a falta de coragem física e moral, a ausência de sentido das mais que previsíveis consequências, conseguiram transformar um acto sem significado de maior em termos poulares, em mais uma forma de descredibilizar a III República e as suas instituções. A popular que furou a “bilheteira”, é certo que aos gritos, não perturbou o vazio do discurso presidencial nem a declaração de oposicionismo e de “disponibilidade” do Costa. Em vez de haver alguém (um assessor so Presidente, um funcionário do Costa…) que acolhesse a senhora e lhe desse alguma esperança, nem que fosse a promessa de verificar e estudar o seu caso, não senhor, deixaram-na nas mãos dos seguranças, e estes fizeram tão só o que deles se podia esperar.

Ainda não se viu escrita nos jornais – pelo menos o IRRITADO não viu – qualquer justificação para o sucedido. O Presidente da Câmara pediu desculpa por causa da bandeira. Ora bolas! E o resto? De quem foi a culpa? Dele? Do Presidente da República? Do Dom Fuas Roupinho? Parece que, como a culpa não foi do governo – que não tinha a ver com a organizaçao – não interessa que fosse de mais ninguém.

Resultado: para a vergonha, ninguém tem cara. Para a exploração política, há caras com fartura, do inacreditável Mário Soares às bruxas opinadeiras do costume, passando pelo troglodita Alegre.

Dir-se–ia que, para o IRRITADO, confesso depreciador da Institução Republicana, a pessegada a que se assistiu só serviria de gozo e de chacota. Não é assim. O IRRITADO tem respeito pelas Instituições existentes, mesmo achando que deviam ser diferentes. Por isso que ache que o 5 de Outubro de 2012 foi um tiro no corpo já tão magoado da III República e do que, apesar de tudo, ela ainda tem de respeitável.     

 

11.10.12

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “AUTOFAGIA”

  1. E os últimos 38? Não classifica? Será «Miserável Bagunça II» ou será mais que isso? E antes do 5 de Outubro

  2. Essa do choque fiscal não era do Barroso?

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