IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ARITMÉTICAS DE PÉ TORCIDO E AMBIENTE DE PÉ DESCALÇO

 

Ora vejam isto:

O “Expresso” publica, com chamada de primeira página, uma coisa que toda a gente já sabia: que os exames da 4ª classe do antigamente eram muito mais exigentes que as “provas de aferição” (???!!!) dos nossos dias.

Para ilustrar esta extraordinária novidade, os matemáticos do “Expresso” publicam o seguinte problema, ao que dizem de 1959:

O Carlos tinha 24$00, mas gastou 0,25 daquela quantia na compra de um livro. Que importância lhe sobejou?

R: 23$75

Custa a crer que, em 1959, os problemas de aritmética fossem redigidos em tão mau português.

Mas demos isso de barato.

Inacreditável é mesmo a resposta que o “Expresso” dá à questão. Então não querem lá ver que tirando um quarto a 24 o resultado é 23,75!

Os matemáticos do “Expresso” não sabem que $25 e 0,25 são coisas diferentes?

Ca ganda inducação!

 

E isto:

 

O “Expresso” e a EDP lançam uma campanha dedicada ao “mês do ambiente”. Por todo o jornal há uns anúncios cujo pano de fundo é umas pegadas verdes, com certeza a inculcar no espírito do cidadão que o futuro é verde mas… descalço. Será?

 

Bom, não interessa. Vejamos alguns dos escritos:

 

Reduzir em 1 grau a temperatura do ar condicionado em casa representa 10% de poupança energética.

 

Ora bem. Antes de mais, é de supor que o que os tipos querem dizer é aumentar, não reduzir. Porque, se eu baixo a temperatura do ar condicionado, parece evidente que gasto mais energia e não menos. Os tipos o que não sabem é exprimir-se em português. Mas, com boa vontade, o pessoal percebe o que querem dizer.    

E a poupança? É 10% da factura da EDP, ou 10% do consumo do aparelho? Não se diz. Também não se diz a que tipo de casa, de aparelho, ou seja do que for se refere a coisa. Pelo que os tais 10% podem querer dizer o que se quiser, ou nada. Publicidade enganosa.

Se não fosse enganosa, o que se poderia pensar de uma empresa que recomenda aos clientes que… não consumam os seus produtos? Um dedo que adivinha diz-me que a EDP o que quer é que a malta compre aparelhos de ar condicionado. Mais enganoso não há.

 

Prefira os produtos não empacotados. Cerca de2/3 dos resíduos urbanos da União Europeia são embalagens.

 

Segundo os conselhos do “Expresso” e da EDP, vou voltar à infância, aos doces tempos em que o leiteiro ia lá a casa todas as manhãs, ajoujado ao peso de bilhas e medidas, para vender uns decilitros de leite, vou revisitar os saudosos dias em que o merceeiro rapava de uma espátula de pau e arrimava numa folha de papel 250 de manteiga que tirava de uma barrica, vou rever a simpática carvoaria, negra de azeviche, onde um galego sebentão servia malgas de tinto com uma medida que era lavada todos os anos bissextos. E assim por diante.

Que dirão disto as centenas de milhar de portugueses que trabalham nas indústrias de embalagens?

Notem que o “Expresso” e a EDP não falam de reciclagem nem de poupança, antes, em substância, defendem a ausência de higiene, de controlo sanitário e de outras coisas que se julgava adquiridas pela civilização.

 

 

43% das espécies de peixes, 32% das aves, 24% dos mamíferos e 24% dos répteis correm o risco de desaparecer em Portugal.

 

Quem disse? Quais os estudos? Porquê 43% e não 44, ou 29? Porquê 32% e 24%, e não 84, ou 5, ou 47? Ninguém sabe. Segundo a brilhante campanha, vamos ter que deixar de comer peixe. Já demos cabo das pescas, agora nem o peixito grelhado dos marroquinos! E carne de porco? Nem pensar! O Maomé é que sabia. Ele, o “Expresso” e a EDP.

 

Assim vai a “informação”, a parvoíce e, seguindo o exemplo do governo, os dedos dos tipos, como diz o Povo, a meter-se pelos nossos olhos dentro.

 

13.06.09

 

António Borges de Carvalho 


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