Os amigos estão na moda. Em si, não é coisa má. Mas…
O camarada Pinto de Sousa tem o maior de todos os amigos, um tipo que lhe adianta as massas que forem precisas para a sustentação do vidaço que bem merece. Assim: taco aos pontapés, atempada e prestimosamente.
O camarada Putin, sabe-se agora, também tem um amigo milionário, com fortuna de milhares de milhões honestamente ganhos a vender rabecões.
Mais pequenino, o camarada Costa tem um amigo (o seu “melhor amigo”) que o ajuda, pro bono, em rebuscados e milionários negócios do Estado. Para pagar as borlas do amigo decide contratatá-lo, julga-se que a recibos verdes ou equivalente, por dois mil euros por mês mais IVA. Por um lado, é de uma enternecedora modéstia. Por outro, nos conceitos do governo, o homem passa a rico, que é o que acontece ao comum dos mortais que auferem tal rendimento.
É de saudar, por unanimidade e aclamação, esta demonstração de amizade. Que diabo, o homem tem prática nas matérias que é suposto vir, ou continuar, a tratar. Uma experiência adquirida em muitos negócios, particulares e estatais. Certamente sempre de borla, como é de pensar. Mais um amigo, um benemérito. Um saber de experiência feito posto ao serviço da Pátria por 2.000 euros por mês, mais IVA. Parabéns.
Amigos há poucos, sobretudo dos bons.
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Por falar em amigos, há que escolhê-los. Nos negócios como na política. É o caso, já saudado efusivamente na imprensa internacional, do camarada Tripas. Certamente para criar confiança no país, o chamado primeiro-ministro foi a Atenas solidarizar-se com a luta contra a “austeridade” levada a cabo pelo seu amigo grego, homem que, como é sabido, soma inúmeros êxitos tal respeito. O camarada Costa, em nobre e solidária atitude, quer seguir o exemplo do amigo. Que diabo, na crise actual os gregos já somam três resgates. Nós, só um. Não é justo. Estamos atrasados! Há que seguir os bons exemplos. Há que dizer ao mundo que também queremos, a fim de aumentar a confiança na nossa capacidade para atrair investimentos, que alteramos tudo o que já fizemos em contrário, que somos inimigos de Bruxelas, do BCE, da comunidade internacional e de outros gangsters que andam por aí , que vamos repor tudo o que estava em vigor há cinco anos atrás, a caminho de um futuro cheio de promessas, isto é, de resgates, de troicas e de amigos como o Tripas.
Alegremo-nos, o Costa tem amigos.
13.4.16

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