IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AINDA O 5 DE OUTUBRO

 

Com a devida vénia, a seguir transcrevo a parte de um artigo de Alberto Gonçalves, publicado no DN de ontem, na parte em que se refere ao 5 de Outubro. 

 

A REPÚBLICA DOS BANANAS

 

A 5 de Outubro de 1910 um bando de rústicos hasteou uma bandeira na varanda da Câmara Municipal de Lisboa e implantou, como se implanta um dente, a República. As baixas foram mínimas, e isso já incluindo os dois líderes revoltosos mortos horas antes por malucos (no caso do almirante Reis, tratou-se de suicídio). A resistência do regime anterior, atarantado, caduco e fatalmente “aberto”, foi residual. O interesse do povo foi quase nulo. A bandeira em causa foi a do Partido Republicano, que contava com a simpatia de uns poucos milhares de lisboetas e o desprezo do resto do Pais. O País caiu assim, feito fruta, nas mãos dos rústicos, que se achavam iluminados por frequentar 
o Rossio e ter ouvido uns delírios em francês. Mesmo por comparação com os desvarios precedentes, estava inaugurada uma época de caos económico, totalitarismo político, perseguições religiosas e ideológicas, discriminação cívica, atentados regulares e geral atraso de vida. E imensa retórica progressista. A deposição da monarquia significou a troca do privilégio de classe pelo privilégio da falta dela, o que não sendo tão mau quanto soa não é tão bom quanto a propaganda oficial jura.  A 5 de Outubro de 2010, o regime em vigor festejou, com tiques devotos, o centenário desse encantador período. Humor negro? Quem dera. Os senhores que hoje mandam nisto celebram a ascensão da I República porque, em larga medida, essa é a sua ascensão. O mofo jacobino e maçónico que tomou conta de Portugal há cem anos é o mofo que desde então sempre nos regeu, com uma longa interrupção para o mofo seminarista, igualmente conhecido por Estado Novo. Se entretanto Portugal mudou muito, quase nada se deveu ao esforço próprio. Nas últimas décadas, as dádivas e o crédito alheios emprestaram-nos o verniz de “modernidade” que disfarçou, mas não impediu, a falência iminente, a corrupção genética e a aversão à autonomia dos cidadãos. Os cidadãos, diga-se, também não ajudam, visto que assistem a tudo com a indiferença de há um século. Excepto quando lhes dá ou retira o amparo, as pessoas não pensam que o Estado e o poder sejam assunto seu. No fundo, e com relativa razão habituaram se a pensar que são assunto “deles”. E “eles” festejam: a desgraça a que, perante a apatia geral e a impunidade,

nos conduziram.

ABC



4 respostas a “AINDA O 5 DE OUTUBRO”

  1. Gostei de “…dois líderes revoltosos mortos horas antes por malucos (no caso do almirante Reis, tratou-se de suicídio). “Gostei, sobretudo, de “….malucos…”! Na verdade, o Almirante Reis sofri, na terminologia moderna e actual, de “doença BIPOLAR”.

    1. A confusão é imensa!!!

  2. «E “eles” festejam: a desgraça a que, perante a apatia geral e a impunidade, nos conduziram.»Quando os Media estão em meia dúzia de mãos, a apatia é sempre conseguida.

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