O senhor Pinto de Sousa aposta forte no chumbo do orçamento. Uma evidência clamorosa.
Ao PM interessa, acima de tudo, continuar a chafurdar na trampa que criou com a sua ignorância, a sua propaganda sem freio, a sua teimosia pacóvia, o seu parlapaté aldrabão, a sua flagrante desonestidade, a sua evidente indignidade, sobretudo a sua inesgotável sede de poder.
Sendo o poder o seu único objectivo, os meios para lá se manter são indiferentes. Aí está a última campanha eleitoral para o provar àqueles que ainda não tinham percebido a inumana monstruosidade – o senhor Pinto de Sousa – com que o país lida, com que o país é desavergonhadamente enganado, amarfanhado, arruinado.
Nada melhor para ele que ver o orçamento chumbado e ficar com sete meses de folga para acusar o PSD de irresponsabilidade e ausência de patriotismo e para, à última da hora, ir buscar umas massas aos duodécimos de 2010 e enganar outra vez uma sociedade que quer ser ajudada a ignorar os seus reais problemas, não vendo nada para além de uns tostões que, à custa seja do que for, lhe metam no bolso.
As hostes socialistas, proto-socialistas, para-socialistas e zarolhas, amontoam razões para obrigar o PSD a deixar passar a última indignidade – o orçamento.
Deveria perguntar-se a tal gente: porquê o PSD?
Porque deixou passar ou aprovou os PEC’s?
Porque o bloco central é inultrapassável e inevitável?
Porque não o CDS, ou o PC mais o Bloco?
Por alma de quem é que estes três da vida airada não são tidos por “traidores à pátria” se chumbarem o orçamento, mas tal é assacado, em exclusivo, ao PSD?
A situação tornou-se de tal maneira violenta na cabeça das pessoas que já lá não cabe outra solução que a de ser o PSD a abster-se. Outras possibilidades de voto são “cientificamente” colocadas de lado pelos fazedores de opinião, talvez porque, no fundo, sejam tão ignaros como a generalidade dos que ainda põem a hipótese de apoiar o senhor Pinto de Sousa.
Perversamente, o PSD, devendo recusar mais esta aldrabice da clique socrélfia, está condenado a ter que a deixar passar.
Porquê? Porque o mais imediato e nobre objectivo nacional é, desde há anos, acabar com o poder do poder canalha que nos ofende e porque a melhor forma de o atingir é deixr passar o orçamento e deixar esta gente enterrar-se até Maio. Então, só então, dar-lhe a estocada final. De outra forma, corremos o risco de ver esta porcaria prolongar-se por mais três anos.
Resta saber como pode o PSD, depois das afirmações de princípio já produzidas, deixar passar a coisa com dignidade e sem perder a face. É difícil, mas terá que ser.
Antes de mais, é preciso não ter ilusões. O PS do senhor Pinto de Sousa, como muito bem Passos Coelho disse, não merece a mais leve sombra de confiança. Pelo contrário, é capaz de se comprometer com uma coisa e fazer exactamente o contrário, como à saciedade está demonstrado. Poderá chegar-se ao ponto de, no debate na generalidade, o PM encher o plenário de promessas de alteração para a discussão na especialidade, levando o PSD à abstenção e, na comissão, faltar a tudo o que sugeriu e deixar o PSD a falar sozinho, sem margem de manobra para alterar o sentido de voto na votação final.
Parece, por isso, que o PSD só tem uma solução;
a) Na abertura do debate, produzir uma declaração, duríssima mas bem-educada, recusando-se a participar na discussão, saindo do plenário e recusando qualquer qualidade moral ou política ao PM e ao governo para discutir com pessoas de bem. Assim lhes retirará a oportunidade de arranjar um bode expiatório para as futuras desgraças que a sua comprovadíssima incompetência não deixará de produzir.
b) Voltar à sessão para se abster, sem mais discussões ou discursos, deixando a batata quente nas mãos de quem a aqueceu.
c) Anunciar uma moção de censura para Abril.
Discutir com esta gente é descer ao seu nível.
Passos Coelho já o percebeu. Que aja em conformidade, é o que o IRRITADO ceseja.
12.10.10
António Borges de Carvalho
PS (post scriptum!) – dirá quem acompanha os estados de alma do IRRITADO que, há bem pouco tempo, o dito defendeu com unhas e dentes o chumbo do orçamento. É verdade. O IRRITADO pensa que nada do que vem desta gente merece aprovação. Ou é mau ou é mentira. Mas é altura de fazer as contas necessárias (política de objectivos!) e pensar qual será a melhor e mais rápida maneira de defender o interesse nacional, mandando o parvalhão para casa, ou para a cadeia, ou para um tacho qualquer bem longe daqui.

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