IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AÍ ESTÃO ELES! (OSFILHOS DA VIÚVA)

 

Em mais uma notável iniciativa, eventualmente destinada a proteger o povo, o Grande Oriente Lusitano aprovou, por 57 votos contra 21, uma proposta do mui nobre Grão-Mestre. Trata-se, nada mais nada menos do que da formação de um “núcleo interno de intelligence” destinado a desempenhar as “funções próprias daqueles organismos (de espionagem) no âmbito da defesa e prevenção”.

Esta brilhantíssima iniciativa foi completada por outra (77 votos a favor, 7 contra) que preconiza a “contratação de ‘equipas técnicas’ externas” destinadas a “consultadoria” e “apoio efectivo” “nos domínios da segurança de pessoas, património e informação”.

Antes de mais reconheça-se que os factos vieram provar que o mui nobre senhor tinha carradas de razão ao fazer a sua proposta: esta, mal foi aprovada, foi parar à “Lusa”, ao que se supõe pela mão de algum dos 21 ou dos 7 traidores que votaram contra. Da “Lusa” aos jornais (alguns…) foi um saltinho. Se o mui nobre Grão-Mestre já tivesse à sua disposição o “núcleo interno de intelligence”, nada disto aconteceria. O “núcleo” meteria um cagaço de tal ordem aos delatores internos e aos ímpios da Lusa, que os primeiros não poriam a coisa cá fora e os segundos não a espalhariam. Se a tal se atrevessem, o Grão-Mestre enviaria uma “equipa técnica” para tratar do assunto: esta, após as devidas consultas, por ordem directa do mui nobre daria “apoio efectivo”, isto é, os delatores e os ímpios eram capazes de ter algum aborrecimento, que poderia, em caso de contumácia, transformar-se em acidente.

Além desta enorme utilidade, imagine-se o que a intelligence poderá vir a ter como funções:

a)     Comunicar ao Grão-Mestre todas as intenções menos republicanas, menos laicas e menos socialistas dos partidos políticos e dos seus agentes, a fim de que as “equipas técnicas” possam desencadear as acções de “apoio efectivo” que, caso a caso, o Grão-Mestre tiver por bem;

b)    Investigar a vida privada dos irmãos e dos cidadãos em geral, a fim de verificar se jogam aos matraquilhos, se preferem o berlinde ou se têm tendências monárquicas, isto na nobre intenção de pôr fim a tais hábitos ou ideias através, mais uma vez, de tarefas de “apoio efectivo”;

c)     Introduzir-se nas empresas, igrejas, clubes de futebol, associações de empregadas domésticas e outras forças vivas da Nação, a fim de verificar a conformidade das suas actividades com os princípios e determinações do Grande Oriente Lusitano, desencadeando a seguir as necessárias medidas de contenção, através das “equipas técnicas”;

d)    Vigiar de perto os agentes políticos e económicos e submeter a “apoio efectivo” – via “equipas técnicas” – todos os suspeitos de ter, ou espalhar, matérias subversivas, entendendo-se por subversivo tudo o que possa ser do desagrado do mui nobre Grão-Mestre (ideias, pensamentos, intenções, desejos, acções ou omissões).

O Irritado fornece estas sugestões sem qualquer paternalismo, uma vez que compete ao mui nobre Grão-Mestre de tão alta e tão benemérita instituição determinar as tarefas a desempenhar pelo “núcleo” e pelas “equipas”, e sem qualquer intenção de obter vantagens de qualquer ordem. Trata-se de mera solidariedade.

Por outro lado, o Irritado avisa o respeitável público que será abusiva qualquer comparação entre o GOL e os directórios da I República, entre a consultadoria e a conspiração, entre o “núcleo interno” e a Carbonária ou entre o “apoio efectivo” e os métodos desta.

21.5.09

Irritad(íssim)o


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