O governo que temos anunciou a “liberalização” dos preços dos medicamentos. Muito bem.
Não vos iludais, ó gentes!
Vejam o que isto quer dizer em “socialistês”.
O que isto quer dizer é que os preços deixarão de ser determinados pelo Estado. Mas não quer dizer que sejam liberalizados. Na proposta socialista a determinação dos preços ao consumidor será entregue ao monopólio das farmácias – a ANF – “que os negociará com os laboratórios e os grossistas”.
O Estado socrélfio não entende o que é liberal, ou seja, adopta os piores defeitos da economia liberal (os monopólios, os cartéis, as práticas de dominação dos mercados), sem usar de nenhuma das suas vantagens (a concorrência, a baixa de preços, o funcionamento a favor do consumidor).
O que o Estado socrélfio propõe é deixar de se chatear com negociações de preços, passando tal tarefa para os tubarões da ANF, da APIFARMA e dos grossistas. Estes conhecidos cartéis ficarão oficialmente autorizados a dominar os interesses dos consumidores, a constituir cambões “legais” e a fazer o que muito bem lhes der na realíssima gana. É evidente que os socrélfios inventarão mais alguma “entidade” para dar uns tachos à rapaziada e poder dizer que “regulam” o mercado.
Concorrência de preços entre fabricantes, entre grossistas, entre farmácias? Nem sonhar!
Se a farmácia A quiser baixar as suas margens a fim de atrair a clientela, sacrilégio! Se a farmácia B quiser fazer promoções, pecado! Se a farmácia C quiser instituir um cartão de pontos, ilegítimo! Quem trata disso, com mão de ferro, é o Cordeiro. Isto, claro, perante o olhar de ternura da “autoridade”, da “agência” ou seja do que for onde o governo vá buscar (mais) algum.
O mexilhão, esse, continuará a bater na rocha, a pagar e a não bufar.
Para isto, mais vale deixar tudo como está.
21.5.09
António Borges de Carvalho

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