IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A VERDADE É UMA CHATICE

 

Aqui há uns tempos, a nacional inteligestsia de esquerda embandeirou em arco com a vinda a Portugal de um tal Krugman. Parece que o fulano é um insgne professor de economia, que até ganhou um Nobel e que, como é óbvio, não pode deixar de ser de esquerda. Aliás, parece que tem dado largas provas disso.

Ora o senhor Krugman, para além das suas críticas à dona Ângela e de outras doutas considerações, veio dizer a Portugal esta coisa muito simples: ou baixam os salários ou estão feitos ao bife.

A nossa inteligentsia de esquerda, os nossos órgãos de informação e muitas opiniosas criaturas trataram de esquecer o senhor Krugman. Tinham enfiado um barrete dos diabos, uma vez que a sua função na vida é dizer o contrário do que disse o tão esperado guru. Queriam apoio e levaram com os pés. A ordem foi esquecer o homem. O Krugman, de um dia para o outro, deixou de existir em Portugal. E, no entanto, como diria o Galileu, continua a existir, a ser de esquerda, e a dizer verdades duras como murros no focinho.

Ora não há uma só entidade no mundo, para além do Louça, do Soares (o nosso principal especilista em baixas de salários) e do Jerónimo, que apresente receita que, no que diz respeito aos custos do trabalho, desminta o Krugman.

A história da TSU, pelas reacções que provocou, foi uma patada na poça. Levantaram-se tenores, barítonos e contraltos, cada um mais esganiçado. A plebe, nós, veio para a rua, indignada.

Ninguém está de acordo.

Hordas de patrões, empregados, académicos (até os há – onde chega o ridículo – que “sabem” que a coisa vai trazer mais 30 ou 60 mil desempregados), filósofos, padres, trataram de condenar acerbamente uma medida que, em boa verdade, ninguém sabe o que daria, a médio e longo prazo.

No PSD, mesnadas de invejosos, frustrados e negociantes da opinião (dona Manuela, Capucho e Marcelo, por exemplo), tratam de pôr as massas em delírio.

Do lado do PS, o oco aproveitou para mais umas frases irresponsáveis, o Soares todos os dias diz mais uma parvoíce, etc. Os socrélfios rejubilam. Coitados, eles que não tiveram culpa de nada, não é?

O Portas, sempre pronto a arranjar chatices, anda a preparar-se para, mais cedo ou mais tarde, cair nos braços do PS. Entrou em histeria.

Dos salões de Belém, o ocupante do Palácio do Rei deve ter-se rido a bandeiras despregadas: no PSD, après moi le déluge. Cavaco há só um! O Barroso fez o favor de dar à sola. O Santana foi corrido com a minha preciosa ajuda. Este, com mais um empurrãozinho… hi,hi.

Uma ou outra voz – vale a pena ouvir, por exemplo, Camilo Lourenço e Ferraz da Costa – percebeu as coisas de outra maneira. Mas são vozes no deserto.

Asneira ou não, a reforma da TSU seria uma maneira de seguir o conselho do Krugman e de tudo o que é gente neste mundo. Não se sabe se seria a melhor, a pior, ou qualqur coisa de intermédio. O que se sabe é que, de uma forma ou de outra, é fatal ter de chegar ao mesmo.

Andar a espalhar ilusões, ou a partir do oportunismo dos políticos, ou da ingenuidade das pessoas, ou de histórias da carochinha, é que não devia valer.

 

19.9.12

 

António Borges de Carvalho



3 respostas a “A VERDADE É UMA CHATICE”

  1. Amigo,Tem razão, a pretendida mexida na TSU tem como finalidade empobrecer os trabalhadores baixando-lhe em 7% os salários e entregando 5,5% aos empregadores.Esta medida já tinha sido estudada há não muito tempo e foi abandonada pelos efeitos perniciosos que teria sobre o consumo privado e, concomitantemente, sobre o emprego.Renasce agora pelo facto de a Banca estar com dificuldade em cobrar as dívidas que as grandes empresas que vivem em concubinato com as forças politicas têm para com ela.Parece que o acordo consiste em que o dinheiro subtraído aos trabalhadores vá directamente para saldar as dívidas à Banca; daí a afirmação do Gaspar de que essas verbas iriam para uma conta especial que o governo vigiaria.

  2. O Irritado tem razão: a verdade é mesmo uma chatice. Só que teve de ser o Zé Muacho a dizê-la…

  3. P.S. Este comentário não é meu, e não será dos mais delicados, mas resume admiravelmente a questão: Claríssimo, mais simples é impossível. Este governo é uma javardeira. Aceita impavidamente todas as alarvidades criminosas do anterior governo e obriga os portugueses a pagá-las. Aceita todos os ditames alarves e criminosos de favorecimento das empresas do regime, e obriga os restantes portugueses a pagá-los. Este governo e ilegítimo. Serve uns poucos à custa de todos os outros, sobretudo dos mais frágeis. E Passos é uma marioneta sem escrúpulos, medíocre e hipócrita.

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