De há anos a esta parte, o programa de debate que, com toda a justiça, se chama “Quadratura do Círculo”, se transformou num dos mais eficazes fora da pura e simples oposição política. Nos saudosos tempos do “engenheiro” era muito mais meigo.
Seria lógico que houvesse um comentador de cada um dos grandes partidos, um do CDS, e até (para haver um “quadrado”) um tipo qualquer da extrema-esquerda, comunista PC ou comunista caviar. É verdade que este último não faria falta nenhuma num forum que se desejaria democrático. Por isso que seja justificável a sua ausência. Já temos PC, BE e quejandos de sobra, todos os dias, por tudo quanto é sítio “informativo”.
O que acontece é que o pluralismo desejável se converteu em púlpito exclusivo da opinião antigovernamental, ainda que caldeado por tímidas, ainda que inteligentes, tiradas amaciadoras de um Lobo Xavier. De resto, o programa integra um socialista, que vai fazendo o seu papel (o Pinto de Sousa nunca existiu e o PS é o bom, o PSD o mau), o que se compreende e aceita. Finalmente, temos aquele que é, de longe, o mais radical inimigo do partido que se julgaria defender: o odiento Pacheco, que mascara frustrações, dores de cotovelo, ódios de pacotilha e ausência de carácter com repugnantes tiradas pseudointelectuais.
Ontem o IRRITADO assistiu a mais uma destas sessões.
Algo mudou. A “Quadratura” passou a púlpito de propaganda eleitoral do Costa, um espertalhão cuja demagogia de campanha eleitoral atingiu inusitados cumes. Valeu quase tudo. O homem vai repor os comerciantes falidos por não ter dinheiro para pagar as instalações, vai restituir reformas, e não sei mais quê. Ou seja, atirou-se aos votos como um leão esfomeado. E, segundo anunciou, continuará a sua cruzada até vinte e tal de Novembro! Decide o que lhe convém, está para além da decência.
Uma delícia, a ”Quadratura”, em termos de pluralismo informativo, de debate democrático, de amor ao contraditório, de informação pública, de pudor intelectual.
O Bispo Teixeira e o Arcebispo Balsemão estão de parabéns, em matéria do que, caridosamente, se poderá chamar “julgamento de oportunidade”.
3.10.14
António Borges de Carvalho

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