IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A MORAL REPUBLICANA EM ACÇÃO

 

O espectáculo circense oferecido ao povo pelo camarada Narciso Miranda é coisa de fazer rir as pedras. Não que se perceba o que o homem diz, tais as piruetas, os triplos mortais de costas, o cerebrozinho a espumar aleivosias e acusações, mas porque nem patético consegue ser, só cómico.

O fulano foi expulso do PS mercê da altíssima autoridade do chefe supremo. O senhor Pinto de Sousa, como já não manda no governo nem em coisa que se veja, resolveu virar as matracas para dentro e fazer sangue nas hostes. Diga-se que, por uma vez, com toda a razão. Um bando de traidores resolveu candidatar-se por fora do partido e contra o partido. É assim como se um tipo do Benfica desatasse a aplaudir os golos do Sporting no meio dos “No name boys”. Compreender-se-ia a justa fúria das massas, se linchassem o canalha.

Até aqui tudo bem. Traiu, lixou-se. Certo.

 

O pior é essa chatice da coerência.

Se estão bem lembrados, o camarada Alegre, justamente célebre pelas suas intervenções radiofónicas em Argel, cometeu exactamente o mesmo crime, mas com agravantes de alto coturno. Candidatou-se à Presidência da República não só contra o PS mas também contra o símbolo máximo da moral republicana, o intocável Mário Soares, há décadas canonizado pelas hostes.

Seguindo a lógica republicana aplicada ao Narciso, o Alegre devia ter sido não só expulso como condenado na praça pública, torturado, lapidado, cremado, deitadas à estrumeira as suas malvadas cinzas. Traição maior não pode haver!

E, no entanto, sob proposta do camarada Louça, o Alegre é agora candidato do PS às presidenciais!

 

Quem põe em risco a gloriosa caminhada do PS em Matosinhos, ou Paranhos, ou lá onde foi, é expulso.

Quem concorre contra o PS à “mais alta magistratura da Nação” – como diria o Salazar – não só não é corrido como se torna, com honras de fanfarra, o representante máximo da organização.

 

Isto merece uma reflexão sobre a verdadeira moral do PS, ou seja, a moral republicana, tão do gosto do golpista Sampaio, do colunista Soares e da generalidade dos camaradas e dos filhos da viúva.

Quando a ofensa não faz mossa, isto é, se passa em Matosinhos, ou Paranhos, ou lá onde foi, a dita moral cai a quatro patas em cima do criminoso. Quando, pelo contrário, o reprovável cavalheiro causa estragos de monta, a moral republicana respeita-o e ergue-o aos mais altos píncaros.

 

Nem há moral nem comem todos, dirá quem isto ler.

 

Não é verdade. Há moral, sim senhor. E da boa. Da republicana. Código tanto mais respeitável quanto se rege pelas conveniências de cada momento, se adapta pragmaticamente a cada caso e tem em atenção, acima de tudo, a “categoria” dos que se julga.

Honroso princípio este, aliás cirurgicamente aplicado por inúmeras autoridades deste país, sempre mais atentas à pessoa do suspeito que àquilo de que suspeito é.     

 

14.8.10

 

António Borges de Carvalho



8 respostas a “A MORAL REPUBLICANA EM ACÇÃO”

  1. Olha que surpresa.O Tecelão ainda não largou a poia.Então eles iam contra um dos padrinhos da coisa?!Ná,nem pensar.A partir de um certo patamar,a malta siciliana não entra em conflictos fratricidas.Já desde os anos 30 que o exemplo da Chicago do velho Al Campónio se faz presente na mentes dos “chefes máximos” destas Cosas.Agora,o Zé Campónio não é parvo,sabe-a toda.

  2. O Irritado confunde deliberadamente o PS – o partido mais PODRE desta República – com a própria República. Mas que tem uma coisa a ver com a outra? O PS representa, quando muito, o pseudo-socialismo português, e a pseudo-democracia instaurada após o 25/4. Será que quando o “grande” Santana Lopes impôs a lei da rolha no PSD, também invectivou a “moral republicana”, ou aí pareceu-lhe tudo bem e natural? Que raio de democracia é esta, em que os partidos funcionam como clubes de futebol, e vozes dissonantes são “linchadas” por adeptos fanáticos?

    1. Não considero o PS como um partido podre, mas como uma organização apodrecida pela clique que dele se apoderou. Várias vezes, aliás, tenho apelado para o que resta de digno dentro do PS no sentido de acabar, por dentro, com tal apodrecimento.Por outro lado, onde estão os descendentes “morais” da I República? Parece não haver dúvidas de que é no PS. Despidos do colonialismo feroz que caracterizou aquela, onde encontrar os “descendentes do Afonso Costa & Cª? Não é no PS? Quem tem ressuscitado o ambiente trafulha da I República? Não tem sido o PS?A “lei da rolha” foi uma invenção da imprensa, dos marcelos, dos partidos comunistas e do CDS. O que Santana propôs era, se se for aos textos que têm a ver com o assunto (os estatutos e o projecto de alteração de PSL) mais “libertador” do que o que queria alterar. A não ser que ao caso se aplique o que dizia o Salazar: “em política o que parece é”.Se formos um bocadinho mais sérios, procuramos a verdade que está para além do que parece ou se faz com que pareça.

      1. Caro Irritado, permita-me discordar: considero o PS um partido PODRE, desde a sua génese, até à sua configuração actual. Não o querendo maçar com a história, que conhece melhor do que eu, dum Soares oportunista e falso profeta desta pseudodemocracia corrupta, tem de convir que as principais figuras deste partido ao longo dos últimos 10 anos, dizem TUDO sobre ele. As excepções dentro do PS, são isso mesmo. Não vejo como possam “acabar” com tal podridão: são uma minoria tão pequena, e com tão pouca voz, que nem se entende como ainda lá estão. Das duas, uma: ou fazem parte desta podridão, ou a toleram. Em ambos os casos, não servem. Quanto ao PSD, não discordo de si, porque nem sequer o entendi: afinal, há ou não “lei da rolha” dentro do PSD? Foi ou não, proposta por PSL? É ou não, contrária à livre expressão dentro do partido? E é ou não um partido com tais regras “fascizóides”, estilo clube de futebol, quem-não-é-por-nós-é-contra-nós, numa suposta democracia que visa acima de tudo o “bem comum”, realmente um partido HIPÓCRITA?

    2. Gosto sempre de ler os artigos do Irritado e irmanar-me na sua irritação, ainda que cada vez mais tente não me deixar condicionar por esta fauna que canhestramente nos impele para um feio mundo de valores às avessas, de que os truísmos tecelónicos são uma boa amostra.Por costume sucede o mesmo com os comentários do Filipe, certeiros e inteligentes. Contudo divirjo, mais vezes do que gostaria, das premissas em que ele escora os seus raciocínios. É claro que desde que, um ano antes da aurora abrilina, lá pelas Alemanhas, foi fundado o PSP (organização de ladroagem que não devemos confundir com a homónima policial), eles se reclamaram como o redil onde se acoitavam os filhos ideológicos da 1ª república. E por lá circularam ainda uns quantos abencerragens que se orgulhavam de ter participado na balbúrdia desse regime – e por isso melhor podemos entender o desnorte deste.A república deles nasceu de um crime (como a francesa) e sobrevive por inúmeros crimes, de que todos somos testemunhas diárias. Ainda assim felizmente desconhecemos a sua grande maioria e muitos outros não se chegam a consumar, como seja a vil sugestão deste incompetente ministro da agricultura (que tem deixado prescrever mais de 90 % das ajudas comunitárias) ao aludir à expropriação das terras onde ocorrerem incêndios por nelas haver mato. Como ainda não se tinha feito notar por qualquer obra, obrou assim agora, pretendendo roubar o que outros incendiaram. A esta tenebrosa luz das labaredas podemos entender melhor porque os fogos não são combatidos, e a quem aproveitam.Quer um outro crime republicano? O assassínio do ensino, com a estulta pretensão de extinguirem as reprovações. Não descansam enquanto não estivermos todos a falar inglês como o Sócrates. Havemos chegar ao apuro dos cubanos, com “cientistas nucleares” a guiarem táxis.Este Narciso, agora um tanto murcho e com pouca vontade de se mirar ao espelho, também tem a sua quota-parte num crime recente: a morte do Sousa Franco, apertado, apupado, atropelado, enchufado pelas peixeiras-que-vendem-mesmo-peixe e as peixeiras-que-nos-querem-vender-o-seu-peixe (leia-se os autarcas socialistas), e que tendo pulado de uns partidos para outros, acabou por pular da lota para o outro mundo, numa morte desonrosa que pôs fim a uma vida que poderia ter sido mais digna.Sem paternalismos, vejo que o Filipe se guia ainda pelo coração, como sucede com a juventude. Quando tiver experiência da política à portuguesa verá que a república, de boa só tem uma coisa, que por acaso até são duas: os rijos seios que despontam no busto que a representa.

      1. Grande ManuelBSeja bem aparecido! Tão ausente tem estado que já temia pela sua saúde.Ab.ABC

      2. Caro Manuel, faço minhas as palavras do Irritado, e do fiel Tecelão: é bom tê-lo de volta. De facto, sou relativamente jovem (nasci depois do 25/4), e não me equiparo em saber ou experiência (entre outras coisas), a si ou ao Irritado. Embora divirjamos em vários assuntos, é sempre com prazer que o leio a si e a ele, e tento sempre aprender alguma coisa – mesmo quando discordo. E é esse o presente caso: conforme o Irritado me respondeu, e o Manuel concordou, os desvarios socialistas são na verdade heranças da “República”. Mas então… vivendo nós numa República, há CEM ANOS, haverá alguma coisa – boa ou má – que não possa ser atribuída à dita República? Colocando de parte as raízes históricas do Socialismo, incluindo o nosso medíocre socialismo caseiro, não estão todos os partidos (incluindo o PSD e o CDS) no mesmo “barco republicano”? Que eu saiba, o PPM não tem representação parlamentar, excepto nos Açores (Corvo). Logo, mesmo com um Presidente-fantoche, mesmo com o PM mais ridículo e desastroso da nossa curta história “democrática”, e mesmo com esta partidocracia bafienta, a “carneirada republicana” parece não ter saudades dum Rei: pelo contrário, prefere abster-se em massa, a votar no partido que colocaria no poder o nosso amado D. Duarte Pio – essa figura tão dinâmica, com méritos tão reconhecidos. Vejo assim as V/ referências saudosas à Monarquia, como um suspiro perante uma inevitabilidade; e a V/ confusão entre a partidocracia actual e a República – quando até há repúblicas bem melhores que a nossa – como um esforço quixotesco de atribuir todas as culpas ao anfitrião, em vez de aos parasitas que nele se alojaram.

        1. Estimado Filipe, Muito obrigado pelas boas-vindas, sinceramente.Tem razão no que diz e expliquei-me mal. O erro não está no regime mas nos descarados que não tendo préstimo em mais nada, se dedicam à política doméstica onde apenas se pede que saibam mentir sem se atrapalhar. A primeira geração de políticos depois do 25 de Abril tinha, aqui ou ali, alguns homens que sacrificavam a sua actividade profissional para servir (etimologicamente “ministro” significa “servo”), tal como sucedera antes, quando a maior parte dos ministros de Salazar tinham que ser convencidos “a ferros” para entrar no governo, porque o trabalho e preocupações eram grandes e o ordenado era pequeno. Claro que também havia os que se ofereciam e que ele recusava (“os que eu quero, não querem vir; os que querem vir, não os quero eu cá”).O Filipe está matematicamente certo quando diz que a república tem 100 anos e que a culpa não é do regime em si mesmo, que num plano teórico até é uma maravilha – mas dos energúmenos que dele se aproveitam, depois de se terem rodeado de Tecelões para os apoiar, sobretudo nas piores baixezas. Veja todavia o que se passou em França, a crueldade acanalhada dos sans-cullotes; ou a sanguinolenta actuação de Lenin e Trotsky – fez ontem 70 anos que um picador de gelo perfurou o seu cérebro malvado (pois, Stalin gostava muito de “briser la glace” com os adversários) – para se concluir que esses regimes em nada se assemelham aos seus arquétipos da Antiguidade Ocidental.Terá contudo que concordar que se existe uma república suíça muito civilizada e pacífica, no séc. XX europeu, os povos sofreram sobretudo às mãos de republicanos eleitos e não dos seus soberanos hereditários. Por cá, a atroz javardice da 1ª república, em Espanha a barbaridade que tudo aquilo foi, na Alemanha o horror máximo, na Rússia superado em tempo e número de vítimas. O novo contributo dos republicanos portugueses com a tragédia da descolonização, onde morreram mais de um milhão e meio de africanos (claro que o Tecelão gosta de repetir o Soares, quando diz que a descolonização foi exemplar e a nossa revolução nada sangrenta). As limpezas étnicas dos Balcãs, só possíveis numa república.Como hoje a minha argumentação segue errática, dois pontos de ordem: é verdade que os socialistas se reclamam os guardiões da “ética republicana”, um slogan que como todos os dessa gentinha apregoa sempre o oposto da verdade. Eu não tenho verdadeiramente saudades da Monarquia porque nunca vivi nela. Tenho apenas ânsia de sermos governados por gente decente, como vejo suceder nas monarquias, onde a representação do Estado tem uma continuidade digna e não está ao alcance de safados como Alegre, mentecaptos como Otelo, corruptos como Soares, dúplices como Sampaio, etc.

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