Os jornais noticiam que os partidos estão à espera de saber o que quer o PGR.
Sua Excelência passa a vida a dizer-se e a desdizer-se, dá-se ao luxo de fazer despachos secretos e, mesmo assim, por causa das moscas, destrui-los, manda queimar materiais que colegas seus achavam importantíssimos, sonega elementos de altíssimo interesse público, apoia uma número dois que é uma autêntica fábrica de asneiras, mete-se com a Rainha de Inglaterra (pobre Senhora!), passa a vida a tratar de “safar” o senhor Pinto de Sousa das mais diversas enrascadas…
Enfim, à excepção do PS, et pour cause, e do PR, vá lá imaginar-se porquê, trata-se de um fulano universalmente tido por incompetente, incapaz de ter mão nos subordinados, que diz hoje uma coisa e amanhã o seu contrário, que contribui activamente para o descrédito da Justiça, que, que, que…
É, por tudo isto e muito mais, digna de nota a preocupação dos partidos com o que Sua Excelência deseja. A partir de uma intervenção pública em que se dizia sem poder para actuar, além de outras patacoadas, os comentadores e os partidos entraram num frenesi teórico sobre o que pode e o que não pode, como é nomeado ou deveria ser, se é bom ou mau ser independente, e assim por diante.
Os partidos políticos, em vez de votar as queixinhas de Sua Excelência a um bem merecido desprezo, acordaram para um problema que não existe, ou não existe por causa desta excelência, e andam à nora para saber o que Sua Excelência deseja.
Há assuntos que não se tratam, ou não se deviam tratar sob pressão, muito menos sob pressões patéticas, para não dizer idiotas ou ridículas como as do Dr. Pinto Monteiro. Senhor que, se a República ainda tivesse alguma dignidade, já teria sido aconselhado a ir para casa gozar de merecida reforma. Que diabo, reforma-se tanta gente que ainda podia ser útil, porque não este senhor, que de útil nada tem?
14.8.10
António Borges de Carvalho

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