A monumental barraca da lei dos dinheiros dos partidos, já exemplarmente vetada pelo senhor de Belém, tem aspectos ridículos, patéticos, escabrosos, tantos e tais que me arrisco a dizer que é o mais grave tiro no pé da história do sistema partidário da III República.
Já está tudo dito, escrito, glosado, comentado, criticado, não valendo a pena, neste particular, “bater mais no cèguinho”. O IRRITADO já se pronunciou, esquematizando as motivações e conveniências de cada um, Tribunal Constitucional incluído. Mas falta uma palavrinha sobre o mais grave de tudo: a reacção dos partidos à bronca que fabricaram, quando ela rebentou.
Começando pela geringonça, temos:
– O PC a dizer que não tem nada com o assunto, só queria garantir o “direito” aos lucros das festividades estalino-castritas da outra banda e de outros arraiais que lhe dê na gana organizar. O resto, pois, votou, mas foi só fogo de vista, nenhuma responsabilidade própria;
– O BE, fiel à sua estratégia de chegar ao governo à pendura do PS, vota tudo o que agradar à bengala, o que está largamente demonstrado, tanto na Asembleia como na CML. A bengala tem-lhe dado tudo em troca, só falta uns ministérios e, já agora, uns tostões. Não vale a pena esfarrapar-se em desculpas, o cavalo molhou-se e, correndo bem as coisas, não secará tão cedo.
– A reacção do PS não tem descrição possível, é a mais indigna de todas. Não sei se as erupções mentais de uma tal Ana Mendes (nº 2 do partido, valha-me São Pancrácio, onde chegámos!) são só mentecaptas ou se, por conscientes, merecem que se lhes cuspa em cima. O PS, na senda da sua tradicional e impune “posse” da República, não fez só falir a dita (3 vezes!), “faliu-se a si mesmo” – passe o pleonasmo. Deve dinheiro por todo lado, tem o fisco à perna, processos e mais processos, uma desgraça. Não contente por sacar mais algum, quis acabar com as dívidas por via “legal”. Quem é pelas finanças perseguido – e todos os que ainda têm vergonha na cara – imagine onde pode chegar a desvergonha, o oportunismo, a desonestidade.
Exceptuo nestas considerações o inexistente PEV e o ridículo PAN, que não merecem que se gaste tempo com eles.
Falta o PSD e o CDS:
– Quanto ao PSD e às atabalhoadas e mal informadas balelas que o seu representante veio despejar à televisão, a única desculpa para ter aprovado uma coisa que, verdadeiramente, só interessava ao PS, é a falta de direcção política de que, por ora, sofre. Desculpa fraca mas, mesmo com a maior das boas vontades, não encontro outra.
– O CDS é um mistério. Dona Cristas tem sido uma mestre de “surf” político. Qualquer ondinha que lhe passe pelos pés, é vê-la lá na crista. Um fartote. A tempo percebeu (chapeau!) o que se ia passar, e aí vai ela. Quem quiser que faça o seu juízo, positivo ou negativo.
O IRRITADO deseja ardentemente que o sistema partidário se recomponha e, se fosse possível, que o PS caísse em si. Se lhe permitem um guess, ou um um wushfull thought, dirá que talvez com Santana Lopes isto entre nos varais.
3.1.18

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