IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A MAIS GRAVE DE TODAS AS TRAPALHADAS

 

A monumental barraca da lei dos dinheiros dos partidos, já exemplarmente vetada pelo senhor de Belém, tem aspectos ridículos, patéticos, escabrosos, tantos e tais que me arrisco a dizer que é o mais grave tiro no pé da história do sistema partidário da III República.

Já está tudo dito, escrito, glosado, comentado, criticado, não valendo a pena, neste particular, “bater mais no cèguinho”. O IRRITADO já se pronunciou, esquematizando as motivações e conveniências de cada um, Tribunal Constitucional incluído. Mas falta uma palavrinha sobre o mais grave de tudo: a reacção dos partidos à bronca que fabricaram, quando ela rebentou.

Começando pela geringonça, temos:

– O PC a dizer que não tem nada com o assunto, só queria garantir o “direito” aos lucros das festividades estalino-castritas da outra banda e de outros arraiais que lhe dê na gana organizar. O resto, pois, votou, mas foi só fogo de vista, nenhuma responsabilidade própria;

– O BE, fiel à sua estratégia de chegar ao governo à pendura do PS, vota tudo o que agradar à bengala, o que está largamente demonstrado, tanto na Asembleia como na CML. A bengala tem-lhe dado tudo em troca, só falta uns ministérios e, já agora, uns tostões. Não vale a pena esfarrapar-se em desculpas, o cavalo molhou-se e, correndo bem as coisas, não secará tão cedo.

– A reacção do PS não tem descrição possível, é a mais indigna de todas. Não sei se as erupções mentais de uma tal Ana Mendes (nº 2 do partido, valha-me São Pancrácio, onde chegámos!) são só mentecaptas ou se, por conscientes, merecem que se lhes cuspa em cima. O PS, na senda da sua tradicional e impune “posse” da República, não fez só falir a dita (3 vezes!), “faliu-se a si mesmo” – passe o pleonasmo. Deve dinheiro por todo lado, tem o fisco à perna, processos e mais processos, uma desgraça. Não contente por sacar mais algum, quis acabar com as dívidas por via “legal”. Quem é pelas finanças perseguido – e todos os que ainda têm vergonha na cara – imagine onde pode chegar a desvergonha, o oportunismo, a desonestidade.

Exceptuo nestas considerações o inexistente PEV e o ridículo PAN, que não merecem que se gaste tempo com eles.

Falta o PSD e o CDS:

– Quanto ao PSD e às atabalhoadas e mal informadas balelas que o seu representante veio despejar à televisão, a única desculpa para ter aprovado uma coisa que, verdadeiramente, só interessava ao PS, é a falta de direcção política de que, por ora, sofre. Desculpa fraca mas, mesmo com a maior das boas vontades, não encontro outra.

– O CDS é um mistério. Dona Cristas tem sido uma mestre de “surf” político. Qualquer ondinha que lhe passe pelos pés, é vê-la lá na crista. Um fartote. A tempo percebeu (chapeau!) o que se ia passar, e aí vai ela. Quem quiser que faça o seu juízo, positivo ou negativo.

 

O IRRITADO deseja ardentemente que o sistema partidário se recomponha e, se fosse possível, que o PS caísse em si. Se lhe permitem um guess, ou um um wushfull thought, dirá que talvez com Santana Lopes isto entre nos varais.

 

3.1.18



5 respostas a “A MAIS GRAVE DE TODAS AS TRAPALHADAS”

  1. A história repete-se http://www.tvi24.iol.pt/politica/veto/cavaco-chumba-lei-do-financiamento-de-partidosEmbora não tenha encontrado em arquivo a notícia desta aprovação, lembro-me bem de que também foi à socapa, num fim de dia, sem aviso.É o sistema político perverso que gera estas situações e outras tão ou mais gravosas repetidamente. Quem ganha com a situação? Quem tem poderes para a corrigir? Basta respondermos a estas duas perguntas para sabermos que temos regime para eternidade.

  2. Quanto a ser o mais grave tiro no pé, sim e não: sim, num país normal seria grave. Em Portugal, meh. Há sempre aquela ténue esperança que alguma carneirada perceba – finalmente! – a farsa desta pseudo-democracia, na prática uma partidocracia cleptocrática, ou (as opiniões dividem-se) uma cleptocracia partidocrática. E há a esperança, ainda mais ténue, que retenha esse “insight” por mais de meia hora, e que nas próximas eleições não vá botar o botinho e validar este circo. Ao longo destes 40 anos, a abstenção foi aumentando: é doce acreditar que foram carneiros que foram acordando. Mas será realmente assim? Quantos não deixaram de votar por mero relaxe? Como a Isabel bem lembrou, estas tentativas à socapa até já são velhas. Até a Múmia já tinha vetado uma! E no entanto, a canalha continua impune, a carneirada continua a votar… logo, porque havia agora de ser diferente? Até haver uma espera no Paralamento, até uns pulhíticos levarem uns sopapos, até uns deputedos comerem umas boas bengaladas, até uns banqueiros e “gestores” serem pendurados pelos pés, até uns comentadeiros – daqueles que gritam “populismo!” e “sem partidos não há democracia!” – racharem a cornadura, nada pode realmente mudar. Costuma-se dizer que quem tem cu tem medo. Esta canalha tem cu, mas ainda não tem medo. É preciso que tenha medo. Porque vergonha na cara é algo que jamais terá.

    1. Peço desculpa à Isabel e ao Filipe por não ter entrado na discussão que têm tido a amabilidade de provocar. Acreditem ou não, uma série de respostas minhas desapareceu sem deixar rasto.Pode ser que uma reforma da lei eleitoral tenha efeitos positivos. Não sei é qual. A ideia dos círculos uninominais, com um nacional de compensação parece-me boa, mas… caciques locais (vício histórico) não abona. Menos deputados (uns cem chegava), com certeza. Um sistema do tipo francês, em que todos os cidadãos podem candidatar-se e em que os partidos têm uma volatilidade tradicional… não sei, mas não há república democrática mais aristocrática que a francesa. O sistema nórdico? Não sei. Quase diria, como o “catastrófico” Filipe, que venha o diabo e escolha.Quanto às televisões, tem toda a razão.

  3. Lá vou eu desabafar outra vez, se me for permitido: há muito tempo que entendo que o primeiro problema que temos está no sistema eleitoral. Este caso é paradigmático do papel que, na prática, a lei em vigor atribui dos deputados na AR. Eles representam as organizações dos partidos que os escolhem e respectivos interesses. Porém, pior que a lei eleitoral é a tv que temos. É ela que fundamentalmente contribui para a formação da opinião pública. Os chamados debates são, na maioria dos casos, monólogos pré-preparados e acordados. Sempre sobre a mesma espuma dos mesmos temas. Sempre com os mesmos agentes políticos mascarados de comentadores.A propósito do caso em apreço, diz Pereira Coutinho, o mais grotesco é a reaccao dos partidos. Mas quem escolhe as reações que vemos repetidamente são as direcções dos canais. E são essas que determinam os votos nas eleições. Estamos conversados.

    1. Peço desculpa à Isabel e ao Filipe por não ter entrado na discussão que têm tido a amabilidade de provocar. Acreditem ou não, uma série de respostas minhas desapareceu sem deixar rasto.Pode ser que uma reforma da lei eleitoral tenha efeitos positivos. Não sei é qual. A ideia dos círculos uninominais, com um nacional de compensação parece-me boa, mas… caciques locais (vício histórico) não abona. Menos deputados (uns cem chegava), com certeza. Um sistema do tipo francês, em que todos os cidadãos podem candidatar-se e em que os partidos têm uma volatilidade tradicional… não sei, mas não há república democrática mais aristocrática que a francesa. O sistema nórdico? Não sei. Quase diria, como o “catastrófico” Filipe, que venha o diabo e escolha. Quanto às televisões, tem toda a razão.

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