Em várias escolas secundárias do país, a progressiva e inteligente juventude do PC – JCP – tem-se entretido a protestar contra as chamadas provas nacionais.
Dizem os rapazes e as meninas que isso de exames, provas, avaliações, ou o que lhes queiram chamar, não passam de “um muro que limita a progressão”.
A coisa é velha. Os exames são uma coisa suspeita, com laivos de fascismo, mera manobra do capital monopolista para prejudicar a virtuosa geração dos filhos de Lenine.
A JCP tem toda a razão. Os exames limitam a progressão, sobretudo quando dão em chumbo. Claro como a água.
Além disso, dizem eles, “degradam a avaliação contínua”. Imagine-se! Provas julgadas por gente que nunca viu os alunos só podem dar em chumbo!
O que interessa à malta é o conhecimento “humano” entre professor e aluno e a empatia entre ambos, sobretudo se os alunos forem do PC e, já agora, os professores também.
Os exames provocam “nervosismo” e revelam “questões económicas”, isto é, os que têm menos dinheiro lá em casa, sobretudo se forem maus alunos, têm mais “nervosismo” que os filhos da negregada burguesia.
Os geniais jovens, quiçá por ordem do Jerónimo, ou do Louça, reclamam “o acesso universal a um ensino de superior qualidade”. Não acrescentam, mas supõe-se, que um ensino de “superior qualidade” seja aquele em que não haja exames de espécie nenhuma, a fim de evitar o “nervosismo”, o que muito deve contribuir para a sociedade sem classes e para o caminho constitucional para o socialismo, além de outras maravilhas da cartilha.
Aplicada a receita da JCP, os amanhãs que cantam serão atingidos por uma geração de ignorante totais, de básicos e de analfabetos, razão pela qual se sentirão muito felizes com os amanhãs que cantam.
Tudo lógico, tudo límpido, tudo transparente. Tudo “com paredes de vidro”, como papagueava o defunto camarada Cunhal.
10.7.11
António Borges de Carvalho

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