Eu sei que Santana Lopes será toda a vida acusado, mais pelos “amigos” que pelos adversários, de ter “falhado” como Primeiro-Ministro. É uma das habituais formas adoptadas pela esquerda (e pela cáfila de pachecos e manuelas que anda por aí) de sacudir culpas para as costas de terceiros. Santana Lopes foi varrido do poder, não por causa do que fez ou deixou de fazer, mas porque Sampaio (o primeiro autor de afectos com o PC) achou que era o momento ideal para pôr os seus no poder, mesmo acabando com um mandato parlamentar a meio sem que nada de verdadeiramente grave se passasse, sem que o regime ou a Constituição estivessem ameaçados, só porque as sondagens indicavam que era a boa altura, isto é, antes que começassem a mudar de sentido. A culpa da dissolução, segundo o politicamente correcto, foi de Santana, não de Sampaio.
Anos e anos passaram. Ontem, porém, tal história foi respescada, não pela esquerda ou pelos “pachecos” mas pelo bairrista que quer ser chefe. Poucos argumentos teria, havia que pegar no mais fácil, ainda que mais desleal.
Toda a gente sabe que andou anos a morder, é certo que melifluamente, nas canelas do partido, e que isso, se memória houver, ou houvesse, seria o suficiente para o mandar às urtigas. Toda a gente sabe que, por muitos floreados que faça, Rio, se chegar ao poleoro, não será outro senão um Costa 2. Politicamente, as suas propostas outra coisa não prometem, não são pífaro que o Costa não assopre.
Mesmo a contra gosto, os opiniosos de serviço não puderam disfarçar que, neste jogo, Santana ganhou, pelo menos por 1-0 (Expresso de hoje). Assim aconteça nas urnas.
5.1.18

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