Alguns tipos como eu ficaram todos contentes quando o Baldaia foi entronizado como director do jornal, dito “de referência”, chamado Diário de Notícias. A impressão que dava era de que se tratava de um tipo de bom senso e sem fidelidades outras que não as de uma certa independência.
Baldada impressão causada pelo Baldaia. Pouco tempo depois, era baldado, ou baldeado, o mais inteligente comentador com assento no jornal, Alberto Gonçalves de seu nome, cujo crime mais grava era o de não ser de esquerda. Uma perda para quem gosta de escritos com pés e cabeça, humor e acutilância crítica, concordando ou não com as opiniões do senhor.
Meus caros, consolem-se com o presente com que o Baldaia ora nos brinda. Em substituição do Gonçalves tivemos hoje a honra de receber um novo comentador, um tipo de de estalo, de confiança, o obscuro Jorge Cordeiro, cuja independência crítica está acima de qualquer suspeita: o homem é membro das mais antigas cavernas do comité central do PC.
Os ventos mudam, as páginas viram. Com eles e elas, viram-se dignidades, competências, imagens, criam-se novas submissões, novos interesses, novas influências. É a vida, dir-se-á. A vida, às vezes, é uma porcaria.
17.3.17

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