Julgava que nada podia haver de pior para o serão (dos portugueses que não vêem telenovelas) que a multidão de futebulóides cretinos que o preenchem sete dias por semana em todos os canais do cabo. Um mísero atentado à inteligência, à paciência, ao bem estar de cada um. Uma interminável caterva de inanidades, de parvoíces, de “análises” aos pontapés dos craques, de bocas de teinadores, de patrões da bola, um nunca acabar de pintosdacosta, de filipesvieira, de brunoscarvalhos e de uma inumerável quantidade de chatos, de intriguistas, de pantomineiros, a infernizar a vida do triste cidadão. Uma chatice sem limites.
(Declaração de interesses: o IRRITADO até gosta de, de quando em vez, ir ver um jogo de futebol, ou de passar hora e meia a vê-los bem sentado e acompanhado, cá em casa.)
Diziam os antigos “quando mal, nunca pior”. Não tinham razão, pelo menos neste caso. Há pior. Muito pior. A saber: os debates presidencias.
Democracia à portuguesa, a quanto obrigas! Quem havia de dizer que íamos passar noites e noites a ouvir 10 (dez!) fulanos a querer valorizar-se com tretas e cantigas, a “preencher” com palermices a função a que se candidatam com competências estrambólicas, mirabolantes, a meter os dedos pelos olhos dentro de cada um como se candidatassem ao exercício de poderes que nunca terão, a uma utilidade inútil, a uma influência que não é outra senão a das invenções que cada um fabrica a ver se dá a volta ao que toda a gente sabe. O que toda a gente sabe é que vamos eleger um PR sem poder político, sem poder executivo, sem poder nenhum que não seja o de chatear. E eles a fazer esquecer, mais uma vez, que um Presidente como o desta ignara Constituição jamais devia ser eleito por sufrágio universal, que o sufrágio universal, neste caso, é fazer troça dos eleitores. Os Presidentes dos países civilizados, ou são chefes políticos, ou não são eleitos desta forma!
Teremos que ouvir, noites e noites a fio, gente do calibre dessa ignorante proto-salazarista do BE, desse horripilante burgesso do PC, do hiperesquerdista Nóvoa ora convertido em “independente”, mais as análises do comentador-mor cá do sítio, mais a tremebunda praeter bondade da Maria, mais as ilusões do empresário, mais as inanidades moralistas do tipo da corrupção, mais os roncos do batráquio, mais, mais mais?
A solução é deixar o aparelho desligado até isto acabar e, no dia D, estar de fim de semana bem longe das urnas. Como querem que, perante o que vê e ouve, o eleitor se não abstenha?
Uma coisa tem de bom esta campanha: só dura duas semanas. Ficarão os luminares da bola outra vez, para consolo dos néscios.
4.1.16

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