Após semanas, ou meses, de actuação política, o insigne professor que, vindo do nacional intriguismo universitário, quer ser Presidente da República, brindou-nos com catadupas de tiradas e patacoadas poético-filosóficas esquerdoides, sem grande sentido prático ou significado que se veja. Além disso, presenteou a Nação com a propaganda de amizades bem escolhidas, todas provenientes de “personalidades independentes”, tais o golpista Sampaio, o acabado Soares ou o confuso e confusionista Eanes, passando por manuéis alegres exumados ad-hoc, tal uma série de gente que se acha fundamental e até tem assento em “publicações de referência”, tais os luminares do basismo esquerdístico e castrese, tipo V. Lourenço y sus muchachos.
Conseguiu assim convencer toda a gente de que se trata de um tipo da esquerda palavrosa, caviar, estrambólica e syrizófila. Foi vê-lo a entusiasmar a ala mais à esquerda do congresso do PS, as reuniões da maçonaria na aula magna, as manifs do BE e outras organizações “unitárias”, tão ao gosto do PC e da chusma de partidecos (uns 17, parece) que se acotovelam por aí.
Postas as coisas neste pé, o homem percebeu que, se quiser ser eleito, terá que contar com muito mais que as dúzias de votos das marchas populares organizadas pela maralha que nele acredita. Daí que, numa tirada universalista e abrangente, se tenha lembrado de dizer que espera receber o apoio dos partidos da coligação e da sua massa de eleitores. O homem tem feito tudo o que está ao seu alcance para alijar tal gente, sendo de duvidar que algum eleitor da coligação ou daqueles que, não o sendo, são alérgicos à filarmónica do Nóvoa (milhões deles), alguma vez venha a ter a triste ideia de o ajudar.
Não há razões para acreditar que o homem não seja inteligente. Mas, quando faz olhinhos às pessoas que não navegam nas águas inquinadas da “nova esquerda”, nega a própria inteligência. Em alternativa, demonstra a que alfurjas morais pode levar a ambição. Vendo-se ao espelho, qual madrasta da Branca de Neve, achou-se o maior. Mas, como prova o que tem feito e dito, não passa de um pequeno fait divers. Coitado, foi enganado pelo espelho. Outra desculpa não tem.
2.7.15

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