IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O OVO NO RABIOSQUE

O Renzi, jovem PM da Itália, de esquerda, deu uma gravata ao Tripas. Teve graça. Mas o mais engraçado, ou sem graça nenhuma, é que ninguém deu por que se tratava de um chàzinho muito bem dado ou, se se quiser, de uma estalada no focinho. O Tripas engoliu, mas insistiu na carroceirice: recebido com guarda de honra, enquanto o Renzi se perfilava diante dela, o selvagem ria a bandeiras despregadas. Testemunha: uma fotografia que, vejam lá, só veio num jornal: os outros devem ter achado que não era favorável ao desengravatado figurante.

Finalmente, as coisas começam a estar no sítio. As primeiras decisões da rapaziada custam, segundo se diz, uns meros 12 mil milhões. Uma bela e sensata entrada nas negociações, não é? Como aperitivo, nada mal. Assim como o Pinto de Sousa, desempregado e teso, a comprar carros de 100.000. Mas o Pinto de Sousa tinha um “amigo” que lhe cobria os desvarios. O Tripas não tem.

Depois, o fim da austeridade, ou do rigor, como se diz agora. Qual fim qual carapuça. Nem pensar, diz a Ângela com toda a razão. Depois de umas avançadas em Paris e Londres (viram o Tripas sem gravata no Eliseu e o Frofofakis, vestido para a caça às perdizes num dia de Inverno, em Downing Street?), em Berlim foi o caneco. E, em Frankfurt, mais ou menos o mesmo.

As ilusões macacas daquela gente, do tipo das paridas pela intelectualidade do Bloco de Esquerda, estão a entrar em colapso, como era evidente para quaisquer dois dedos de testa. Tirando o Fischer dos verdes, ninguém na Alemanha está pelos ajustes. Pudera! Diz o Forofikis que o dinheiro não foi para o povo mas para os bancos (90%!). O homem deve achar que, se os 325 mil milhões tivessem sido distribuídos pela malta, dava 29 euros por cabeça. Porreiro pá. Era uma pipa de massa “social”.

Muito a sério, já toda a gente percebeu que nada vai poder ser como os gregos queriam, ou tinham a triste ilusão de querer. Quando se propõe pagar a dívida à medida do crescimento económico, mas não se tem, na Grécia como em toda a UE, crescimento económico nenhum, está a contar-se com o ovo no rabiosque da galinha, no caso no da Ângela e de mais uma data de gente. É um continente inteiro, uma União inteira, que, de alto a baixo, deixou de ter economia que permita voos financeiros e consumos crescentes. Resta o “rigor” e uns restos de esperança, não passando esta de wishful thinking.

O IRRITADO é pessimista? Pois é. Basta olhar para a massa anda por cá nos bancos sem que ninguém a queira. Projectos? Que projectos? Investimento estrangeiro? Que investimento estrangeiro? Pois é. Resta o “rigor”.

 

6.2.15

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “O OVO NO RABIOSQUE”

  1. Não sei se o Irritado será pessimista: por vezes parece optimista, até fantasista, desde que esteja em causa um governo PSD. O problema é o Tripas ser esquerdalha. Todos gostamos de ver confirmadas as nossas opiniões e convicções, em suma, de ter razão. Mas há um limite, definido pelo bom senso, em que termos razão deixa de ser o mais importante. Por exemplo, eu desprezo o herói do Irritado, Passos Coelho. Creio que lhe falta espinha, seriedade, sagacidade, uma montanha de coisas. No entanto, se o país estivesse realmente a melhorar, e não apenas a encher mamões e a manter tachos, era bom para todos – e também para mim. O meu desprezo passaria para 2º plano, os resultados dele eram mais importantes. Tanto que mais ou menos o defendi durante um tempo, apesar de me parecer uma fraude. Eu queria, queria mesmo, estar errado sobre ele. Com o Irritado, creio, não é assim. O importante é que o Tripas se espete, mesmo para (ainda maior) desgraça de um povo inteiro. E mesmo que isso nos deixe pior, pois os mamões terão dupla moral para nos chupar até aos ossos. O importante é ter razão. Não digo a nível pessoal, mas naquilo em que acredita: o sucesso do seu Passos, a inevitabilidade da mama, a vitória da “direita”, a miserável derrota da “esquerda”. Talvez eu exagere. Mas digo-o a sério, não é mera provocação.

    1. Eu sei que não é provocação.Mas julgo também saber que aqueles a que me vou opondo ou não têm outras soluções ou, as que têm, se formos caridosos, são contos de fadas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *