Segundo a estatística interna do Hospital de Santa Maria, no primeiro semestre de 2014 houve 142.454 “horas não trabalhadas”. Por mês!
Feita uma pequena conta, verificaremos que, num ano, haverá 3.418.896 horas a merecer tal classificação. Se o custo médio por hora for, digamos, por defeito, 12 euros, teremos a módica quantia de 41.026.052 de euros (quarenta e um milhões, vinte e seis mil e cinquenta e dois euros. Em 6.106 funcionários, há 14 % (838) em permanente e “justificada” paragem. A estes, a estatística junta 1676 “ausentes”, o que significa que, por razões mais ou menos desconhecidas, há quem, simplesmente, não ponha os pés no serviço.
Haverá alguma empresa no mundo que possa sobreviver nestas condições? Duvido. Haverá razões legais atendíveis para justificar números desta ordem? Com certeza que não, nem na república das bananas.
Só os médicos são responsáveis por cerca de 60.000 “horas não trabalhadas”. À atenção do Silva. Os enfermeiros, por 84.000. À atenção do Carlos. Os “técnicos”, por 25.000. O pessoal mais cá de baixo, por 46.000. Tudo boa gente. Tudo nos termos da lei. Tudo a receber, ou do hospital, ou da segurança social.
Depois, há quem venha dizer-nos – ouve-se todos os dias – que os profissionais da saúde são uns heróis.
Xiça.
24.8.14
António Borges de Carvalho

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