Como é do conhecimento geral, em termos constitucionais, Portugal é uma república, não uma nação. O que parece implicar que o que ficou para trás de 1910 seria outra coisa que não Portugal. É claro que, lá mais para diante do tristemente célebre texto constitucional, aparece a bandeira da República, a que chama “nacional”, bem como o hino da República, com o mesmo epíteto. Quer dizer, o adjectivo “nacional” surge ex-nihilo, já que, em termos de definição do que Portugal é, não existe com esse nome qualquer nação: só uma república.
Há uma certa lógica, ou uma lógica jacobina, nestes conceitos constitucionais: não havendo nação, é lógico que se tenha adoptado, como símbolos “nacionais”, os da República.
O IRRITADO, como é evidente, não é admirador da bandeira que se usa como “nacional”. Num país que, durante mais de setecentos anos, teve como cores nacionais o branco ou o azul e o branco, é pelo menos absurdo que as tivessem mudado, ainda por cima utilizando as cores de uma organização terrorista que foi o braço armado da desgraça republicana que nos caiu em cima. Não chegava tirar a coroa à Bandeira Nacional?
Apesar disto, não cabe na cabeça do IRRITADO faltar ao respeito à bandeira da República.
Vem arenga a propósito da absolvição de um “artista” que resolveu enforcar a bandeira da República e que foi, por decisão judicial, inocentado do crime de o ter feito. Ficamos a saber que, desde que se trate de “arte”, é legítimo pôr a bandeira da República dentro de um penico, ou cantar o hino com uma letra pornográfica. Os tribunais lá estarão, competentíssimos, a julgar o quem é “arte” e o que é ofensa.
Aqui há tempos, um díscolo qualquer que insultou o Presidente da República foi, outrossim, absolvido pela “Justiça”, em estranhíssima interpretação do Código Penal. E se o Presidente fosse do PS, interpretar-se-ia da mesma forma? Fica a dúvida.
Hoje, ficámos a saber que não havia provas “judiciais” que pudessem determinar quaisquer culpas da monumental bagunça e do insulto à instituição parlamentar que foi a manifestação dos polícias e afins. Não houve quem não visse as provas do crime, na televisão e nos jornais. Mas, para os distintos procuradores, não houve qualquer prova, nem arguidos possíveis! Nem os chefes sindicais daquela malta? E se a maioria fosse do PS, a decisão seria a mesma? Fica mais esta dúvida.
Alguma coisa fica provada: vale tudo.
A República nem os seus símbolos respeita. Como havia de respeitar a Nação?
8.7.14
António Borges de Carvalho

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