IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


ANTÓNIO BORGES

 

As diatribes da esquerda contra o ilustre defunto, a quem chama os mais terríveis nomes, dão-nos uma imagem clara da cultura de esquerda, pelo menos da cultura de esquerda em Portugal.

Os que fazem gala em assacar-lhe as maiores tropelias são os mesmos que são capazes de tecer loas ao Cunhal, um estalinista feroz, que coonestou dezenas de milhões de mortos, que quis precipitar o seu próprio país na mais horrenda das ditaduras, que foi um dos mais fiéis representantes de uma potência estrangeira cujos interesses sempre serviu acima de quaisquer outros, que elogiou os tanques de Praga, que disse que em Chernobil tinha havido “uma pequena avaria”, que, que, que… tudo em nome do povo e dos trabalhadores, qual Hitler, qual Mussolini, qual Castro, qual Lenine.

E, no entanto, a direita portuguesa nunca insultou o seu cadáver nem se opôs a votos de pesar pela sua morte. Perante os restos mortais de alguém, de uma pessoa humana, boa ou má, a direita abstém-se de criticar. Fê-lo em vida, se o fez, e fá-lo em relação às suas ideias, se outras tiver.

A decência é algo que, perante a morte, mais deveria manifestar-se. A diferença entre o que pensamos e o que pensam os outros, se formos decentes, não se manifesta contra cadáveres.

O espectáculo que os comentadores de esquerda têm vindo a dar a propósito do passamento do Professor António Borges, mais do que uma imoralíssima porcaria,  é manifestação de uma cultura fundada no estranho convencimento de que a esquerda é dona e senhora da democracia, que o socialismo é a única doutrina válida, que uma Constituição esquerdóide e estúpida como a nossa pode ser fonte de felicidade, de emprego e de progresso.

Não colhe, neste post, defender ou atacar as ideias do extinto. Mas, que diabo, com o cadáver ainda quente, insultar um homem pelas suas ideias e pela frontalidade com que as defendia é mais que indecente. É porco!

Ou será uma consequência da moral republicana?         

 

29.7.13

 

António Borges de Carvalho

 



4 respostas a “ANTÓNIO BORGES”

  1. O que diz de Cunhal também se aplica a Borges: a diferença estava apenas nos amos que serviam. Cunhal servia a ditadura soviética, Borges a ditadura da Banca. Os povos não são só escravizados por tanques e gulags; há hoje métodos mais eficazes, que até são completamente legais. Tudo graças aos Borges deste mundo, que – como os Cunhais – não hesitam em subverter qualquer moralidade ou honestidade intelectual, para avançar a sua agenda. Tal como o Irritado, o Borges era do tipo “pimenta no cu dos outros é refresco”. Nem o escondia, dizia-o abertamente: vocês (toda a gente) são inferiores a mim (a ele), merecem viver pior, merecem trabalhar uma vida por tostões, para que gente como eu viva à grande. Nós – a “elite” – merecemos, vocês não. De certa forma, lembra a mentalidade monárquica: uns poucos merecem tudo, e os restantes estão condenados a trabalhar e a sacrificar-se para que esses poucos o tenham. Porquê? Porque é assim. É a vida. Será isso a tal “moral republicana” – não gostar de se ser CHULADO?

    1. Não sei onde se vai buscar o seu tipo de filosofis. Mas sei ao que ela conduz.

      1. E sabe o que choca mais no Borges? Ao contrário da maioria de nós, ele sabia como e quando iria morrer. Conhecer o nosso fim com antecedência tem de afectar-nos. Coloca tudo o resto em perspectiva, faz-nos rever prioridades, valores, etc. Creio que é um sentimento universal, e inevitável. E no entanto, o Borges não mudou nada. Até ao fim, manteve-se arrogante, pesporrente, e defensor de profundas injustiças. Estava quase a morrer, sabia-o, e continuou um fiel servidor da Banca – os maiores escroques do nosso tempo. Deprimente, não acha? Eu acho.

  2. É esse o principal problema da esquerda – pensam que mandam nos outros… não são democratas…

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