Vejamos os grandes problemas da nossa vida política nos vem apresentando, problemas que, segundo o partido socialista, os opinion makers, as televisões, os jornais e tantos outros formadores da opinião pública, estão na agenda dos dias.
1 – Antes de mais, avulta essa magna questão de saber onde se vai pôr a “regra de ouro”. Na Constituição? Numa Lei orgânica? Na Lei geral? Num decreto? Numa portaria? A Nação inteira não cabe em si de ansiedade, à espera da solução que os pais da Pátria vão dar a este formidável problema. Ninguém sabe com exactidão o que seja tal coisa, ou como funcionará, ou se funcionará. Mas toda a gente tem consciência de se trata do principal problema do país.
2 – Tão ou mais importante que esta é a questão de saber se o camarada Seguro vibrou uma golpada estatutária no seu próprio partido, como afirma o incontido e palavroso Marcelo, ou se não deu golpada nenhuma. Se deu à casca como um tarado, foi só por não ter mais nada que fazer? A Nação espera com ansiedade a resposta com que o esclarecido académico prometeu para Domingo.
3 – Estamos também mergulhados na resolução da formidável questão de saber como vão ser escolhidos os candidatos socialistas às autarquias e a outros empregos. Convenhamos que, tal como a regra de ouro ou a golpada, a coisa ocupa a primeira linha das preocupações dos portugueses.
4 – Mal ficaríamos se não fizéssemos referência e esse luminar da nossa vida política que dá pelo nome de Isabel Moreira. Com sobeja razão: como é que a intragável magrizela, perita em parvoíces, causa tanta celeuma? Como é que o Seguro aguenta a tatuada criatura? Um mistério terrível, coisa que não pode deixar de ser comunicada à troica, a fim de tornar a lingrinhas objecto de uma reforma estrutural. Pensar noutras matérias será difícil para o povo. Que outra coisa será tão digna de atenção?
5 – Na mesma ordem de problemas nacionais, temos o caso, verdadeiramente paradigmático, dessa grande figura da República que “se está marimbando para as dívidas e para a troica” e que quer “pôr de joelhos os banqueiros alemães”. Mais um problema: o ilustre deputado demitiu-se do cargo que tinha no grupo parlamentar do PS! Mais importante, o quê? Quiçá só o problema da tatuada. Ninguém. Como poderão o PS, o país, o Parlamento, prescendir dos altos serviços do notável maluquinho?
6 – A somar a tudo isto, os portugueses não podem deixar de tremer de emoção quando pensam que o Seguro está a tentar ver-se livre da influência de tantos e tão qualificados gigantes da nossa política, tais o inacreditável Lelo, o desbocado Santos Silva, o rapaz do beicinho à banda, o ladrão de telemóveis, o Paulo Campos, meu Deus!, o Sérgio dos preservativos, e tantos, tantos mais.
7 – Mal ficaria ao IRRITADO se acabasse esta resenha dos mais importantes problemas dos portugueses se não citasse o infausto acontecimento de que foi alvo o camarada Louça. Preparava-se o grande líder comunista para ia a Atenas dar aos gregos da extremíssima esquerda a luz do seu pensamento, designadamente o seu sentido aplauso pelos motins, cocktails molotov, incêndios, escavacações de automóveis e outras altruístas acções levadas a cabo com indesmentível civismo pelos camaradas helénicos. Os controladores aéreos alemães, certamente às ordens da fascista Merkel, paralisaram o aeroporto de Munique com o objectivo de impedir o Louça de dizer as suas palavras de apoio aos díscolos de Atenas e de lhes manifestar a sua admiração, estima e indefectível camaradagem. Cabe aos portugueses revoltar-se perante tal manifestação das mais repressivas tendências, não acham?
Assim nos entretemos. Pelo menos, é o que a oposição, os opinion makers e os media propõem à nossa consideração.
Muita falta nos fazem o António José da Silva e as suas “Guerras do alecrim e manjerona”, ou o Guilherme Shakespeare e o seu “Much ado about nothing”.
4.4.12
António Borges de Carvalho

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