Anda para aí uma aflição dos diabos com o súbito surto de actividades dos hackers nacionais. Os tipos metem-se em tudo, no governo, nos bancos, na intimidade de cada um…
Nem autoridades nem empresas nem famílias nem pessoas nem nada está a coberto da intromissão de tais criminosos.
Engraçado é verificar a indignação dos que se indignam com as actividades desta malta.
Não há muito, os mesmos incensavam os autores do maior de todos os fenómenos de penetração ilegítima na vida de cada um: os canalhas da uiquiliques. Perante o aplauso dos bem pensantes, o senhor Assange repoltreia-se em Londres à espera que o extraditem para a Suécia, acusado… de violação, ou coisa que o valha. Mas ninguém o encarcerou ou exigiu que fosse encarcerado por ter roubado o que roubou, por ter pago a ladrões para roubar, por ter vendido o produto roubado, tudo em flagrante delito, tudo com a devida publicidade, tudo com o aplauso de gente tão “deontológica” como, entre nós, os dirigentes do “Expresso” que, às escâncaras, também foram fazendo uns tostões com a venda dos produtos que sabiam ter sido roubados. O bandido até foi condecorado lá na terra dele, ora governada por uma tonta qualquer.
Por cá, ai ai ai, ai ai ai, que nos andam a mexer nos computadores, que nos alteram as mensagens, que nos vão à conta do banco, que andam para aí a dar cabo do que é nosso!
Não sei em que se funda a moral desta gente, nem onde vão buscar argumentos (a não ser os que, esfarrapados, o “Expresso” teve a lata de produzir), para criticar os hackers e louvar os outros ladrões.
Não faltará, se necessário, quem venha “explicar” e “justificar” a profunda diferença entre uma coisa e outra. Tretas. A diferença é só esta: uma deu-lhes dinheiro a ganhar, com a outra podem vir a perdê-lo.
(Faz lembrar a história do Costa com os pinta paredes. Não é permitido cagar paredes, a não ser que o Costa determine que paredes e que cagadas!).
Não sei se há legislação que permita meter na cadeia os hackers ou os tipos do “Expresso”. É capaz de haver. Só que, num caso, talvez venha a ser aplicada (wishful thiking). No outro, nem pensar!
5.12.11
António Borges de Carvalho

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