O senhor Daniel Oliveira, ubíquo e bem pago profissional de opiniões, apresentou, na coluna que vende ao “Expresso”, uma salvífica solução para os problemas da Europa, da dívida, dos juros, da austeridade, etc.
Coisa imaginativa, bem esgalhada. Eficaz ou não, ninguém saberá dizer. Para o IRRITADO que, uma vez por outra, lê as arengas do fulano, foi uma surpresa. O homem, afinal, é capaz de pensar um bocadinho para além dos parlapatés ideológicos e idiotas do Bloco de Esquerda!
Ilusão, pois claro. Lá para o fim do arrazoado, o homem confessa que foi passear a Bruxelas e lá ouviu uns tipos defender aquela coisa. Resultado, era preciso ler a coluna até ao fim para perceber que não tinha sido a privilegiada e barbuda cabeça do Oliveira a produzir tão lustrosos pensamentos!
Bem imaginado. O homem cita os donos da bola quando o jogo já vai no fim. Quem sair antes fica a pensar que foi ele que meteu o golo.
Já agora, o nosso homem não hesita em comparar a PSP ou equivalente à malta do Cadafi ou do Assad, para não dizer da PIDE ou do seu ex bem-amado KGB.
O alemão que é procurado pela polícia do seu país e que, à porrada, resistiu à identificação pela polícia, é “um manifestante real”, isto é, um pobre alemãozinho abusivamente atacado quando se dedicava a manifestar a sua “indignação” nas ruelas do Bairro Alto.
O Daniel confessa-se incomodado quando vê a polícia impedir os piquetes de greve (do mijarete da greve “geral”) de obrigar os seus colegas a não trabalhar. Claro, os piquetes de greve, para o ilustre opinador, não se destinam a convencer ao “amarelos” a aderir à greve, mas a obrigá-los a tal, pondo-se à frente dos autocarros, insultando-os e tirando deles desforço se necessário. A polícia, essa, não tem o direito de impedir a forçada aplicação de tal conceito de piquete.
No auge do delírio, o homem pede que haja quem proteja as pessoas dos polícias, isto para defender o “estado de direito”. Ou seja, o melhor é começar já – como diria, tão estúpido como assassino, o Otelo – a criar milícias destinadas a dar cabo da polícia, a fim de “nos” proteger dos malefícios da dita e a instaurar o “estado de direito”.
Tudo isto é triste, até porque o homem, ao que julgo, não é estúpido. É só mau.
5.12.11
António Borges de Carvalho

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