No mesmo dia em que vem a lume a magnífica história de uns conselheiros do Supremo que usaram facturas falsas para “justificar” o gasto necessário à compra de valioso quadro destinado a decorar um dos seus gabinetes, coisa que muito prestigia a classe, pelo menos em termos de mecenato artístico, aparece mais um comunicado do respectivo “representante” a ameaçar este mundo e o outro por causa dos cortes de subsídios previstos no orçamento do estado.
É evidente que, se houvesse alguma vergonha onde devia haver, o esquerdíssimo senhor teria aguardado que a onda das facturas falsas amainasse para vir a lume com as suas indignadas arengas. Mas não há lá disso.
O homem, muito conhecido pela sede de poder justicialista que o anima – ao ponto de afirmar que os juízes devem tomar a lei a seu cargo, isto é, julgar segundo os seus critérios sempre que não gostaram da lei aplicável, vem agora fazer o contrário, isto é, clamar pela aplicação da lei, alegadamente contrária ao corte dos subsídios.
Trocadas as coisas por miúdos, os critérios são como segue: se acharem que a lei lhes convém – ou às suas convicções políticas – exigem a sua rigorosa aplicação; se acharem o contrário, deitarão a lei para o caixote e farão o que muito bem lhes der na realíssima gana.
É também de notar outro alto critério do inacreditável dirigente sindical: o homem fartou-se, em tempos, de clamar que os juízes não são funcionários públicos. Agora, que apanham com os cortes dos funcionários públicos, passam a sê-lo como por encanto. Santa coerência, a desta gente!
Muito mal se diz por aí, dos políticos, dos deputados, do governo, de tudo e de todos.
No entanto, políticos, deputados, governo, tudo e todos, ao pé desta gente, são santinhos de altar!
1.12.11
António Borges de Carvalho

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