Informa o Diário de Notícias, em destacado título, que “A democracia sai à rua dia 15”.
O IRRITADO sobressaltou-se com a notícia. A democracia na rua? Que é isto? Virão o Presidente, os deputados, outros eleitos, os partidos, o povo, para a rua, manifestar-se contra si próprios? Virá a república para a rua, com a Clementina de tetas de fora à frente? Que será isto?
E lá foi ver do que se tratava.
Pode agora garantir que se trata de coisa altamente importante, decisiva, cheia de “projecto”, de “linha de rumo”, de “coerência” e de “sede de justiça”.
E de pluralismo q.b.
Vejamos: ele é a JOC (Juventude Operária Católica), a PLAGAN (Plataforma Anti-guerra Anti-NATO, o M12M (Movimento 12 de Março), o SOS Racismo, o Opus Gay, a UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta, a Marcha Mundial das Mulheres, o GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental), a AGIR (agrupamento de Intervenção e Resposta), a Casa do Brasil, os Precários@Inflexíveis, a FERVE (Fartos destes Recibos Verdes), o A Cultura Está Viva e Manifesta-se na Rua, os Artistas e Públicos Indignados, o Socialismo Revolucionário filiado do Comité Internacional dos Trabalhadores, os Estudantes do Superior pelo 15 de Outubro, os (as?) Panteras Rosas e mais umas vinte “organizações” de que ninguém ouviu falar e que o IRRITADO não refere porque já está farto.
É de intuir que esta monumental salganhada se propõe acabar com a “homofobia”, com a “precariedade”, com a NATO, com o “aquecimento global”, com os recibos verdes, com os “transgénicos”, com o “capitalismo” e com outros horrores da sociedade moderna, através da “democracia participativa”, da “transparência”, do socialismo revolucionário e do fim de outra precariedade, recentemente inventada, a que chamam “precariedade de vida”, como se houvesse alguma coisa mais inevitavelmente precária que a própria vida.
Os objectivos parecem confusos, mas é fácil imaginá-los.
Esta gente, munida dos seus ipads, ipods, iphones, blackberrys, etc., propõe a destruição pura e simples de tudo o que lhes deu origem. Os seus gadgets de estimação passarão a ser coisa que, como os pacotes de leite e as drogas, estão no supermercado ou nas ruas porque sim. O emprego é uma coisa que os outros (quem?) lhes devem, até que a morte os leve. Sobretudo, nada de eleições, nada de partidos, nada do que existe. A “democracia” faz-se na rua, é “participativa”, é coisa de minorias e de “activistas”, sendo os “activistas” o povo que manda na rua e irá passar a mandar nas nossas casas, enquanto tivermos casa.
A tese é paralela às do Cunhal e colegas: quem manda é quem manda na rua, ou seja, quem manda em quem manda na rua.
Eles têm “razão”, têm direito a ser alimentados, a não ter outras responsabilidades que não sejam as de fazer barulho e de exigir tudo e mais alguma coisa, têm o direito ao emprego permanente com ordenadinho ao dia 30 quer trabalhem quer não, têm o direito a ter casa, saúde, educação (pouca, que estudar é chato), tudo a cair do céu, talvez produzido pelos escravos desta gente.
O Cunhal, ao menos, tinha uma solução: roubava-se à “burguesia” e punha-se a burguesia a sustentar o “povo”, isto é, o partido. Estes, nem isso: querem o que querem, e pronto.
Na sociedade ideal do 15 de Outubro, toda a gente será obrigada a ter a maior das admirações pelos deficientes sexuais. Os exércitos, as polícias, as leis, as eleições, a economia, serão abolidos e substituídos pela “justiça” e pela boa vida dos “activistas”. Os “artistas” serão toda a vida pagos pela “sociedade” quer prestem para alguma coisa quer não. Haverá serviços públicos de alto gabarito, independentemente de haver meios para os pagar. O dinheiro virá de quem o tem, quer dizer, do poço sem fundo que a maralha acha que existe. O arrefecimento global passará a ser obrigatório. Se for preciso um presidente da república, tal cargo será desempenhado em mandatos de um ano e entregue, por sucessiva inerência, ao presidente da ILGA, ao secretário-geral do opus gay e ao líder espiritual da Quercus. As religiões serão abolidas e, para esse fim, criado o correspondente campo de extermínio.
Só falta saber quem será o big brother. Não faltarão candidatos.
19.10.11
António Borges de Carvalho

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