IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


AGÊNCIAS

 

Hoje, sábado, o IRRITADO passou os olhos por uns três ou quatro jornais.

O tema do dia, como não podia deixar de ser, é a Moody’s.

Já está tudo dito, ou quase. Do Presidente da República ao storyteller Tavares e ao seu primo ex-BE, não houve bicho careta que ficasse fora da polémica.

Todas as críticas estão certas, desde os que acham a Moody’s (e as outras) uma espécie de demónio em figura de empresa, aos que acham que a coisa não anda fora da razão, todos concordam, por uma razão ou outra com o “murro no estômago”. Tudo minha gente tem razão.

Que fazer?, como diria Lenine confrontado com as hesitações da grande revolução.

 

Para já, o murro no estômago provocou algumas coisas boas: o senhor Trichet deu sinais de ter saído da sua habitual letargia; o senhor Barroso, célebre por não fazer nada que se veja, largou umas indignadas bocas; o senhor não sei quantos, em representação da dona Ângela, mostrou as garras às agências em vez de, como é costume, as mostrar aos infelizes que estão tesos.

Em suma, parece que alguma coisa mexe. Já não é sem tempo.

 

Qual a solução? Fala-se para aí em fundar uma agência europeia, como se tal coisa não existisse já. Existe, mas não tem clientes. Além disso, uma agência é uma coisa privada, dificilmente podendo surgir no seio dos Estados, da Comissão, do Conselho ou do PE.

O resultado da iniciativa, fatal, seria o de, ou ninguém ligar bóia à nova agência, ou a agência agir como as outras para não se queimar junto de certos clientes.

Dever-se-ia começar por perguntar de que vivem as agências. Porque avaliam elas os Estados? Porque os Estados lhes pagam, e não pouco, para ser avaliados. Porque avaliam os bancos? Porque os bancos lhes pagam, e não pouco, para ser avaliados.

Então, a solução torna-se evidente: é a da “greve” dos clientes. Se os clientes mandarem as agências às urtigas, onde vão parar as agências? À lona, meus senhores.

Dir-se-á que quem investe precisa de pareceres técnicos independentes para informar as suas decisões. As agências? Com certeza que não. Não se pode confiar em gente que dava altas classificações à Enron, ao Lehman Brothers, ao Madoff e a outros seriíssimos cavalheiros. Valiam tanto tais avaliações como valem as actuais: nada.

Por tudo isto, o que há a fazer é criar um movimento, ao nível da Comissão, do Conselho, do Parlamento Europeu, dos governos nacionais, dos bancos, etc., para tirar o tapete de debaixo dos pés das agências. Simultaneamente, as avaliações seriam entregues a uma entidade independente, que não pode deixar de ser o Banco Central Europeu, a fim de dar alguma credibilidade às informações.    

Os bancos, e outros, se quisessem, faziam mais profundamente as suas análises. Que diabo, não têm lá profissionais para isso?

 

O que é simples, é sabido, é muitas vezes o mais difícil de fazer. Mas vale a pena tentar.

A tal agência europeia, estilo panaceia salvadora para entreter o pagode, é que não!

 

9.7.11

 

António Borges de Carvalho



4 respostas a “AGÊNCIAS”

  1. É uma solução, sem dúvida. Outra solução, seria acabar com este CAPITALISMO DE CASINO, com estes “mercados” de especuladores e agiotas, e com todo este dinheiro irreal, INVENTADO a partir do NADA, mas suponho que essa solução dê um bocadinho mais trabalho, e sobretudo ameace muitas fortunas obscenas, e muitos “investidores” bem instalados na Banca, nas multinacionais de “investimento”, nas agências de “rating”, e noutras entidades muito, mas mesmo muito, sérias e produtivas para o bem-estar do resto da Humanidade.

  2. A Moody’s está certa. A dívida portuguesa é lixo. E donde vem o lixo? Vem do cérebro dos portugueses, nomeadamente: juristas, jornalistas e economistas . Com esta República, com estas regras, isto é, com arbítrio puro e roubalheira , equilibram-se as contas, salda-se a dívida e ainda sobra algum para relançar a economia. Como? Fazer aos accionistas portugueses das grandes empresas o mesmo que tem vindo a ser feito aos senhorios. Se, como proclama o Tribunal Constitucional a um queixoso de roubo por parte do estado, o art. 65 da CRP autoriza o estado a sacrificar o direito de propriedade dos senhorios, por maioria de razão, ajudado pelos artigos 64 e 63 autorizam a sacrificar o dos accionistas. Como o poder político foi rapidinho com o BPN , fazia-se o mesmo com outras empresas, não se pagava um tostão e depois voltava a privatizar-se.

  3. Há pouco tempo a carneirada berrava toda, que as agências mais não faziam que reconhecer a falta de credibilidade do governo do Pinto de Sousa.Agora a canalhada de direita mudou o discurso,as agências são uns sacanas.Quem não os conhecer!!!

    1. “…carneirada berrava toda…” é a mesma que agora berra, … ao contrario!!!

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