Dominique Strauss-Kahn, humilhado, troçado, aniquilado, objecto de universal condenação, foi libertado, devolveram-lhe a massa, saiu em beleza, e só resta arranjar ao sistema judicial uma saída minimamente decente para o mandar para casa em paz e sossego.
O mundo do politicamente correcto é um mar de contradições e de estupidez radical.
Ao mesmo tempo que se dá essa maravilhosa coisa da chamada libertação sexual, ao mesmo tempo que as fraquezas de cada um são elevadas à categoria de honrosos feitos, ao mesmo tempo que todas as intimidades são objecto de pública admiração, ao mesmo tempo que tudo é permitido, louvado, propagandeado, basta que uma gaja qualquer se queixe de que foi molestada por um macho demasiado activo para este ser preso e atirado à mais porca das lamas.
A queixosa, dita “vítima” pelos jornais, é apresentada como uma pobre emigrante, viúva, com dois filhinhos, moradora num bairro pobre, trabalhadora incansável na limpeza de um hotel de luxo, uma santa, uma infeliz, que foi, à força, submetida aos desejos impuros de um biltre que, pela sua universal importância, é bem o exemplo dessa maldita raça que se chama homem, ser violento, predador, abusador dos mais fracos, um canalha, um ser repugnante, uma merda.
A “moral” do politicamente correcto assim o determina e impõe. Os critérios do politicamente correcto criaram o anátema de uns e a glorificação de outros pelos mesmos motivos. Há a classe dos inatacáveis (maricas, fufas, “celebridades”, etc.) e a dos suspeitos do costume, sem excepção e à partida uns tipos a demolir.
O IRRITADO, como qualquer observador independente, percebeu à partida que a história estava mal contada. Disse porquê. Quando, mais tarde, viu na televisão (fugazmente, como não podia deixar de ser!) a fotografia da pobre e honesta viuvinha que tinha sido atacada pelo dirty old man, perdeu qualquer dúvida sobre a justiça da sua tese.
A coisa metia-se de tal maneira pelos olhos dentro, que só se percebe a reacção dos media por submissão ao politicamente correcto e ao sensacionalismo mais acéfalo, acrítico e, diz o IRRITADO, criminoso.
Agora que o sistema judicial americano, finalmente, parece ter descoberto a verdade, isto é, que a triste viuvinha é uma gaja do pior, com a mesma “inteligência” vão os media explorar a situação, desta vez de pernas para o ar. Embarcam no que estiver “a dar”, verdade ou mentira, justo ou injusto.
Nenhum foi capaz de imaginar o “crime” com os dados que estavam à disposição de todos. Andar na onda é mais importante que ter ideias ou sentido crítico.
2.7.11
António Borges de Carvalho
NB. O IRRITADO não conhece o senhor DSK de parte nenhuma, nem, sendo ele socialista, tem qualquer tendência para o defender ou admirar. Negar a evidência é outra coisa.

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