IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


EXPRESSIVAS ASNEIRAS

 

O Jornal chamado “Expresso” é, como usa alardear, o campeão dos semanários.

É também um dos grandes prosélitos da língua portuguesa. Costuma organizar concursos de promoção da dita, e foi o primeiro a celebrar, adoptando-a, essa coisa estúpida e indigna a que se dá o nome de Acordo Ortográfico.

Paradoxalmente, quem o ler com atenção e pormenor encontra, por edição, dezenas, talvez centenas de pontapés na gramática.

As mais das vezes trata-se de demonstrações de ignorância de comentadores e jornalistas, velhos, como o storyteller Tavares, ou novos, como a chusma de licenciados que deve enxamear a redacção.

Outras vezes, pela forma destacada como aparecem, não podem ter a desculpa de ter escapado a algum revisor, se é que o “Expresso” os tem.

Vem isto a propósito de um artigo que o IRRITADO não leu, sobretudo porque o título de tal o impediu. Uma peça escrita por uma senhora, certamente distinta doutora e especialista em vastas matérias, Cristina Galvão de seu ilustre nome.

Rezam as parangonas do escrito “FAÇAM-SE AS CONTAS”.

Analisemos a frase:

Sujeito: indeterminado, terceira pessoa do singular;

Predicado: façam-se, verbo fazer, transitivo, terceira pessoa do plural do presente do conjuntivo;

Complemento directo: as contas, substantivo feminino, forma plural, precedido do artigo definido correspondente.

E o prémio vai… para o complemento directo, que domina a maravilhosa sintaxe: o verbo, em vez de concordar com o sujeito, concorda com o complemento directo! Tal e qual como os patos bravos que escrevem “vendem-se casas”, como se as casas se vendessem a si próprias. A diferença é que os patos bravos terão desculpa, as doutoras do “Expresso” e os seus revisores, se existem, não têm.

 

O IRRITADO pede desculpa à dona Cristina por ter resolvido atacá-la desta tão soez forma. Sentirá a senhora que o IRRITADO a trata como uma espécie de bode expiatório do mar de asneiras em que o “Expresso” é pródigo. E tem razão.

Mas é o que o “Expresso” merece.

Se não andasse armado em defensor da língua, seja através dos concursos, da monumental parvoíce do acordo ortográfico, ou das suas relações intelectuais com a dona Edite Estrela, ilustre “linguista”, talvez não merecesse tanto.

Quanto mais alto se sobe, ou se quer subir, de mais alto se cai.

 

4.7.11

 

António Borges de Carvalho



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